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Reportagens

Braços cruzados, Cinemateca Brasileira parada

Há mais de dois meses sem receber salário, funcionários iniciam hoje uma paralisação reivindicatória.

Por Luiz Joaquim | 12.06.2020 (sexta-feira)

Na foto acima , de 2017 feita por Didão Barros/Wikimedia Commons, a fachada da Cinemateca Brasileira, em São Paulo.

Há mais de dois meses sem receber salário, os trabalhadores da TV Escola e da Cinemateca Brasileira – sob gestão da Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp) desde março de 2018– decidiram iniciar nesta sexta-feira (12) um manifesto, estabelecendo a paralisação de seu trabalho.

Por meio do manifesto, os profissionais deixam claro que, a parte o amor pelo importantíssimo trabalho que realizam, não podem sustentar sozinhos a responsabilidade de cuidar de tão valioso patrimônio para o País sem ao menos um reconhecimento salarial.

Os profissionais exigem o óbvio. Receber seus vencimentos, clareza sobre a situação do caixa da Acerp e a definição de uma política pública para a instituição. Pelo tom do texto, fica evidente que esta não foi uma decisão simples a ser estabelecida pelos sempre tão comprometidos profissionais da Cinemateca Brasileira e da TV Escola.

Leia o manifesto na íntegra.

SEM SALÁRIO, SEM TRABALHO

    O meio cultural é permeado por um discurso do trabalho por amor, do sacrifício para manter o patrimônio cultural, o sacrifício individual missionário.
    Basta desse discurso!
    Somos profissionais e amamos o nosso trabalho, mas o fazemos também pela remuneração. Lutamos pelo nosso sustento e de nossas famílias!
    Salvaguardar o patrimônio cultural brasileiro é dever do Estado e podemos pressioná-lo a isso, a investir efetivamente e a desenvolver uma política cultural a altura das necessidades desse patrimônio! No entanto, não podemos exigir dos indivíduos, dos trabalhadores, que carreguem esse peso nas costas.
    Os trabalhadores da Cinemateca Brasileira e da TV Escola, em sua grande maioria CLT’s mas também há 11 prestadores de serviços, estão há dois meses ou mais sem receber seus pagamentos. Muito tem se falado sobre o acervo da Cinemateca e o risco que ele corre com um aventado fechamento da instituição pelo governo, mas pouco se fala sobre a situação desses funcionários que não possuem qualquer possibilidade de renda frente a pandemia. À caminho do terceiro mês sem pagamentos, decidimos paralisar nossas atividades neste dia 12 de junho de 2020.
    Neste dia ocorrerá uma reunião do Conselho Administrativo da ACERP, empresa gestora da Cinemateca e da TV Escola, que decidirá o futuro da associação. O dia 12 também marca a data limite e arbitrariamente estabelecida pela ACERP para a demissão voluntária de seus trabalhadores, sem o efetivo pagamento da rescisão. Então, decidimos cruzar os braços para pressionar o Conselho a chegar a uma decisão e sair do impasse em relação aos trabalhadores.
    Queremos um posicionamento claro da empresa, uma declaração da situação de seu caixa e planejamento de suas ações para que parem de brincar com a nossa sobrevivência e que encaminhe algo resoluto em relação aos pagamentos. Exigimos os pagamentos devidos!
    Sem salário, sem trabalho. Trabalhadores da Cinemateca Brasileira e da TV Escola paralisados!
Ajude os trabalhadores da Cinemateca e suas famílias. Acesse a campanha de arrecadação. Clique aqui.

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