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Críticas

Premonição 3

O absurdo da morte anunciada

Por Luiz Joaquim | 07.07.2006 (sexta-feira)

Quem viu as duas produções que antecederam “Premonição
3” (Final Destination 3, EUA, 2006), sabe que o mérito
da série está na caprichada e realista composição
visual dos acidentes fatais que recheiam o enredo.
Sabe também que os acidentes são, em sua maioria,
inverossímeis, dando um ar quase patético para algumas
das desgraças que se abatem sobre os coitados dos
adolescentes nos filmes.

Com a chegada do volume três, dirigido pelo mesmo
James Wong do filme um (2000), a impressão é que as
situações criadas sob as quais surgem os acidentes
mostram-se cada vez mais ridículas. E é curioso
observar que a insistente Morte (com ‘M’ maiúsculo
mesmo, pois ela é um personagem) só persegue
adolescentes. Não é para menos, se formos considerar a
premissa que alimenta todos os três volumes.

Ela diz que se você enganou a Morte, ela vai te
perseguir e te pegar através de acidentes; alguns bem
pouco prováveis. ‘Enganar a Morte’ aqui significa se
safar daquilo que o destino lhe traçou. Por exemplo,
no novo filme, Wendy (Mary Elizabeth Winstead),
prestes a embarcar numa montanha-russa, tem uma súbita
visão do acidente fatal que está prestes a acontecer
ali.

Seu pânico faz com que desembarque do brinquedo junto
ao amigo Kevin (Ryan Merriman) e outros colegas da
escola. Pouco depois, o acidente realmente acontece e
juntos eles vão descobrindo pistas que apontam como os
outros sobreviventes virão a morrer. O único meio de
‘deter a Morte’, de acordo com o ocorrido seis anos
antes, é se antecipar a ela, salvando a vida dos
amigos na mesma seqüência que seria a escolhida pela
Morte. Seqüência está nascida de uma lógica própria
imaginada por Wendy, e que o espectador tem de engolir
sem discutir.

Assim sendo, “Premonição 3” com sua lista de
condenados à morte torna explícito o que outros filmes
do mesmo gênero, no qual a atração é chacinar
adolescentes indefesos, tentam esconder. Com a tal
lista anunciada, tem-se certeza que o bando de jovens,
um a um, irá morrer. A única expectativa a cultivar
pelo espectadore e esperar para ver como eles
morrerão.

É assim, um filme sádico, principalmente pela
excelência de realismo dos acidentes (com algumas
exceções), como já mencionamos. E o sadismo só parece
aumentar quando consideramos que a produção, que
apresenta em detalhes um acidente de metrô, estréia na
mesma semana em que morreram dezenas de pessoas pelo
descarrilhamento de um veículo idêntico na Espanha.

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