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Livro: Mãos de Cavalo

A construção da identidade

Por Luiz Joaquim | 03.06.2007 (domingo)

O mercado editorial entra em rebuliço no período do Prêmio Jabuti, o mais importante da categoria no Brasil, organizado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL). E é talvez o seguimento dos romances que melhor aproveita a indicação/premiação para reverberar as qualidades de seus autores. Quando, há onze dias, a CBL anunciou os dez primeiros concorrentes ao prêmio 2007, o nome de um jovem autor, exatamente nesse seguimento, chamava atenção.

Daniel Galera , 29 anos, apareceu ao lado de monstros como Moacyr Scliar e Luís Fernando Veríssimo, com seu “Mãos de Cavalo” (Cia. das Letras, 188 págs.), o primeiro lançado pela Companhia das Letras e o primeiro pelo qual envereda para a longa narrativa. A poderosa editora já havia, com sucesso, relançando recentemente “Até o Dia em que o Cão Morreu”, que foi levado ao cinema pelas mãos de Beto Brant sob o título de “Cão sem Dono”.

“Até o Dia…” foi originalmente colocado no mercado pela selo Livros do Mal, idealizado por Galera Daniel Pellizzari e Guilherme Pilla. Foi ali que também debutou com a coletânea de contos “Dentes Guardados”, pelo qual já indicava promessas de uma fluidez narrativa e intensa para representar temas de sua geração.

Em “Mão de Cavalo”, o autor também seduz os leitores de sua geração quando aborda os impasses da construção de uma identidade naqueles que tiveram a infância dos 10 aos 15 anos marcada por referências pop, jogando futebol na rua calçando kichute ou desbravando o mundo sobre uma Caloi Cross, aro 20, ou ainda, apenas, indo jogar videogame na casa dos amigos.

Ao mesmo tempo, num recorte do tempo, Galera também nos traz ao presente, onde aquele que foi um menino desbravador torna-se um cirurgião plástico prestes a completar 30 anos (Galera, tem 29) que, depois de um breve e suada trajetória de estudos e experiências na medicina, repensa sua opção quando parte para uma viagem com um amigo para a Bolívia numa Mitsubishi Pajero.

Antes disso, conhecemos a adolescência do “Mãos de Cavalo”, ou de “O Ciclista Urbano” – apelidos do protagonista que também dão título aos capítulos do livro. No caso da adolescência ele é o “Hermano”, que circula numa Porto Alegre – terra onde o paulistano Galera viveu a maior parte da vida – que está longe daqueles imaginário turístico do qual ouvimos falar.

No meio disso tudo está o cerne do enredo: a busca pela identidade (tema já muito bem ensaiado em “Até o Dia em que o Cão Morreu”) . Ao longo do percurso do protagonista, Galera nos deixa enxergar como os fatos interferem(riram) nas escolhas do jovem homem e do homem jovem.

O dilema aqui é assumir a própria natureza. Em qualquer fase, infantil, adolescente ou adulta, ele se depara com desafios sociais e pessoais e ha um constante questionamento nas escolhas que, invariavelmente, irão transformá-lo na pessoa que ele será. Galera diz: “Insistir em ser outro era desperdiçar energia e gerar frustrações, vergonha e arrependimento”.

No dia 31 de outubro, na Sala São Paulo da Estação Júlio Prestes (SP), quando anunciarem os premiados do 49ª Prêmio jabuti e o Livro do Ano, saberemos se o recado do jovem Daniel Galera ganhará um impulso para entrar para a eternidade.

SERVIÇO:
“Mãos de Cavalo”
Daniel Galera
Companhia das Letras
188 páginas
R$ 35,00

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