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Críticas

A Lei do Desejo

Um Pedro Almodóvar campeão de audiência

Por Luiz Joaquim | 18.05.2008 (domingo)

Em abril de 1997, a programação do Grupo Severiano Ribeiro (GSR) trouxe à cidade, para sua então nova criação, a “Sessão de Arte”, o filme “A Lei do Desejo” (La Ley del Deseo, Esp., 1987). O título de Pedro Almodóvar tornou-se o campeão de audiência do horário especial de cinema, fazendo um público recorde, mantido ainda hoje, de 2.972 espectadores em apenas sete sessões, sendo três delas acontecidas no extinto Cine Veneza, de 800 lugares. Nesta segunda-feira (19), às 19h no Shopping Tacaruna, “A Lei do Desejo” exibe em nova cópia como prévia de sua temporada a partir de sexta-feira (23) no Shopping Boa Vista e depois no Shopping Recife.

Rever este quarto longa-metragem do espanhol hoje é não só curioso como registro sociocultural de uma época carregada de iconografia pop (estamos falando dos anos 1980), como também é um belo exercício para enxergar referências que o cineasta viria a utilizar em trabalhos futuros. No primeiro caso, temos o estilo new-wave transbordando nas roupas, na musica, no cabelo, no cenário e onde mais possa ser encaixado.

No segundo aspecto, vemos Almodóvar utilizando-se de elementos que lhe são caros, aqui já bem dosados e manejados, como o homoerotismo, o catolicismo, ou melhor, a transgressão do catolicismo, e o ‘desejo’ como legislação da alma.

No enredo, o cineasta homossexual Pablo (Eusébio Poncela) e sua irmã Tina, uma atriz transexual (Carmem Marua) são os protagonista de desejos amorosos e sexuais reprimidos. Enquanto ele não permite cumplicidade ou amarras mais forte com nenhum dos amantes (e entre eles, Juan, por quem é apaixonado), Tina não se relaciona com homens em função de um trauma com o próprio pai e um padre durante a adolescência.

Entre Pablo e Tina entra uma terceira figura chamada Antonio (Antonio Banderas, já famoso noutro Almodóvar, “Matador”, 1982), que tem como norte exclusivo da vida sua paixão desenfreado pelo cineasta, com quem tem a primeira experiência homossexual. Em “A Lei do Desejo” vemos um Almodóvar em borbulhante criação dramática e visual, numa ótima forma que no ano seguinte geraria “Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos”.

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