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Críticas

Uma manhã gloriosa

A persuasão do jornalismo e dos bons atores

Por Luiz Joaquim | 01.04.2011 (sexta-feira)

Há já um bom número de filmes interessantes que tomam o universo da imprensa para falar de questões éticas, tanto profissionais quanto humanas. São eles tão sérios (“Todos os Homens do Presidente”, 1976; “Intrigas do Estado”, 2009, “O Quarto Poder”, 1997), quanto divertidos (“Quase Famosos”, 2000); ou românticos (“O Jornal”, 1984; “Nos Bastidores da Notícia”, 1987; “Rede de Intrigas”, 1976); sem falar nos clássicos (“Cidadão Kane”, 1941; “A Montanha dos Sete Abutres”, 1951).

Hoje, chega aos cinemas “Uma Manhã Gloriosa” (Morning Glory, EUA, 2011), de Roger Michell, que se junta ao grupo e parece passear por todos esses temas, sem se aprofundar em nenhum deles. Mas, ainda assim, é competente o suficiente para conquistar os espectadores dos mais diversos graus de exigência. Inclua-se aí jornalistas televisivos, que se identificarão no enredo.

Essa conquista se dá, muito provavelmente, pela bela representação do dinamismo (loucura) que se sucede em toda redação e estúdios de telejornalismo, desenhado com inventividade pelo roteiro de Aline Brosh McKenna (“O Diabo Veste Prada”) e eloqüência pela direção de Michell (“Um Lugar Chamado Notting Hill”).

Agrega-se aí o talentoso elenco encabeçado por Rachel McAdams, que vem acertando nas escolhas (protagonizará o próximo Woody Allen) e, curiosamente, aqui interpreta sua segunda jornalista. Na primeira, era a foca Della, em “Intrigas de Estado”, no qual tirava do sério um veterano repórter (Russell Crowe).

Desta vez ela tira do sério Harrison Ford, ótimo no papel de Mike, um mal-humorado telejornalista com décadas de premiada carreira, entre coberturas de guerra e outras catástrofes. Talvez só agora, com este Mike, Ford tenha resgatado o espírito que moldou sua persona de astro nas séries “Guerra nas Estrelas” e “Indiana Jones”. A persona de um cabuloso simpático e charmoso, sem fazer esforço nenhum.

Becky (McAdams) é uma recém-contratada para ser a produtora executiva do “Daybreak”, um telejornal matutino nacional, com 47 anos de existência, mas prestes a ser encerrado pelo decadente formato. Depois de algumas tentativas, a moça descobre uma brecha no contrato de Mike com a emissora, e o força a participar como âncora do programa. É quando a tensão, que já não é pouca, cresce, tendo a produtora que bolar pautas mirabolantes.

Há ainda espaço para um romance atrapalhado entre Becky e outro jornalista (Patrick Wilson) que, repetimos, vem bem dosado e não interfere na persuasão e veracidade que o diretor Michell conseguiu estampar aqui. Atenção para, ainda no início do filme, a primeira reunião de pauta de Becky com sua equipe do “Daybreak”. É uma ótima dica para o estudante de jornalismo que fantasia o trabalho na TV como algo glamuroso.

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