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Críticas

O Espetacular Homem Aranha

Mais drama, menos ação

Por Luiz Joaquim | 06.07.2012 (sexta-feira)

Há décadas que o cinema e os quadrinhos andam de mão juntas, particularmente quando o assunto é super-heroi. E é, usualmente, divertido fechar-se numa sala escura de cinema para acompanhar as estranhezas, descobertas e responsabilidades deste herói que se forma na nossa frente. É exatamente por se debruçar sobre estas três características que “O Espetacular Homem-Aranha” (The Amazing Spider-Man, EUA, 2012), estreando hoje, se sai bem no que pretende oferecer.

O que se tem a oferecer, entretanto, é pouco em termos de sequências de ação, considerando o custo desta produção de US$ 215 milhões que quer abocanhar uma larga fatia do mercado entra no Brasil em mais de 1.000 salas de cinema. Agora dirigido por Marc Webb (do bacana “(500) Dias com Ela”), o “Espetacular Homem Aranha” dá continuidade a franquia milionária que iniciou em 2002 com Tobey Maguire no papel título, e que rendeu duas sequências (2004, 2007) todas sob a direção de Sam Raimi.

Os Fãs já sabem, e não é de hoje, que tudo está mudado aqui. A começar pela opção em chamar Webb para encenar a dramaturgia sobre o pobre garoto novaiorquino criado pela tia, que é mordido por uma aranha geneticamente modificada, e que passa a ter poderes tais quais o aracnídeo. A aposta em Webb, diretor que ganhou reconhecimento há três anos ao contar de maneira incomum uma frustrada história de amor entre jovens adultos, já situa o espectador sobre o que esperar neste “Aranha”.

Webb, sob o roteiro de James Vanderbilt, Alvin Sargent, Steve Kloves, tendo como mote o personagem criado por Stan Lee e Steve Ditko, chegou exatamente para amplificar a gama dramática na história do jovem Peter Parker, uma vez que “O Espetacular…” é a chamada “prequel”, ou ‘pré-sequência’, contando o que veio antes da história que todos já conhecemos.

E o diretor, de fato, consegue aumentar a dimensão nesse campo de conflitos humanos de Parker. No caso, muito bem amparado pelo ator Andrew Garfield, como o homem-aranha, e tendo atores do quilate de Sally Field e Martin Sheen (como os tios May e Ben). Diferente daquela versão que retomou o super-herói em 2002, agora nos conhecemos melhor Parker pela sua relação com seus tios. Antes da morte do tio Ben, vamos saber o quanto os valores do jovem Parker irão ser vinculados a postura deste homem e suas convicções contra a humilhação e a vingança.

Sabemos ainda a razão do abandono dos pais de Parker, quando ele ainda era um garoto, e como isso estará ligado ao seu primeiro arqui-inimigo, o Lagarto (Rhys Ifans). Parker ainda está no 2º grau, e aqui nem chegou a conhecer Mary Jane.

AÇÃO
Mas, a expectativa da maior parte dos espectadores de filmes de heróis com roupa colante está atrelada às cenas de ação. “O Espetacular Homem-Aranhã” não decepciona, mas pode deixar deixar algum desses espectadores ainda com fome mesmo depois do prato principal já apresentado.

Aqui, é inegável a beleza das imagens mostradas pela perspectiva do herói aracnídeo enquanto balança por suas teias entre os arranha-céu de Manhattan. Elas (estas imagens), por si só, oferecem a vertigem dos voos do herói que os títulos anteriores não nos deram.

Mas quando o assunto são as lutas entre o Aranha e o Lagarto – vilão de baixa empatia -, as situações parecem não estimular a adrenalina do espectador. Melhor se sai o diretor Webb, como esperado, ao arquitetar os primeiros momentos de Parker com seus superpoderes.

Desde a confusão atrapalhada que arma no metrô, passando pelo jogo de basquete com o valentão na escola, Flash (Chris Zylka), até a conquista da garota inatingível na sala de aula Gwen (Emma Stone, personagem que foi de Bryce Dallas Howard em 2007), são nestes momentos que “O Espetacular…” mostra a que veio.

Assim, o filme assume-se mais como uma obra superproduzida e pirotécnica a respeito do universo adolescentes e suas atribulações. O que não é um problema desde que você não tenha colocado fé nessa franquia como um trabalho que se preocupa com exigências de adultos maduros.

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Homem-Aranha (2002)
Causava frisson a chegada dessa primeira versão séria para o cinema do personagem criado por Stan Lee. Repleto de fãs dos quadrinhos, os cinéfilos também tinha uma razão para lotar as salas. Quem capitaneava o filme era Sam Raimi, conhecido pela origem num cinema radical e independente norte-americano. O resultado foi positivo com efeitos visuais de primeira grandeza. Virou um fenômeno de bilheteria apresentando Tobey Maguire como o herói aracnídeo, indo desde a descoberta de seus poderes até a decisão de usá-los para salvar vidas e conhecer a mocinha Mary Jane (Kirsten Dunst). A imagem de seu beijo de cabeça para baixo virou antológica, e seu primeiro super-vilão foi o Duende Verde (Willem Dafoe se refestelando). Uma curiosidade: o primeiro e mais empolgante teaser do filme começou a circular nos cinemas em meados de 2001, onde o herói armava uma têia entre as torres do World Trade Center e prendia um helicoptero com criminosos. O teaser foi tirado de circulação logo após o atendo do 11 de Setembro.

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Homem-Aranha 2 (2004)
Exultantes com o megasucesso do primeiro filme, a Columbia e a Marvel começaram a preparar uma sequência no ano seguinte. No filme 2, Raimi estica o drama de Parker em ter que esconder seu amor por Mary Jane enquanto tem de lidar com Harry (James Franco), seu melhor amigo, cuja raiva pelo Homem-Aranha aumenta cada vez mais por considerá-lo como sendo o assassino de seu pai, o Duende Verde. Ao mesmo tempo a tia May (Rosemary Harris) sofre com a perda do Tio Ben e Parker ainda descobre um novo vilão: o Dr. Octopus (Alfred Molina).

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Homem-Aranha 3 (2007)
Parker consegue encontrar um meio-termo entre ser o Homem-Aranha e o namoro com Mary Jane. Porém o sucesso como herói e a bajulação dos fãs, entre eles Gwen Stacy (Bryce Dallas Howard), faz com que Peter se torne auto-confiante demais e passe a negligenciar as pessoas que se importam com ele. Mas as coisas ficam feia mesmo quando ele precisa enfrentar Flint Marko (Thomas Haden Church), o Homem-Areia, que possui ligações com a morte do seu tio Ben. Tendo que lidar com o sentimento de vingança, Peter passa a usar um uniforme negro, que se adapta ao seu corpo.

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