
Pernambuco no Festival de Locarno
Primeiro longa de Matheus Farias e Enock Carvalho, “A Margem do Rio” concorre na mostra principal
Por Yuri Lins | 09.07.2026 (quinta-feira)
O cinema pernambucano estará representado na principal mostra competitiva do 79º Festival de Cinema de Locarno, na Suíça. O longa-metragem A Margem do Rio, primeiro filme de ficção em longa duração dirigido por Matheus Farias e Enock Carvalho, integra a Competição Internacional do evento, que acontece entre os dias 5 e 15 de agosto, concorrendo ao Leopardo de Ouro, principal prêmio do festival.
Filmado no Recife, o longa acompanha Izaquiel, interpretado por Caique Copque, um auxiliar de serviços gerais que leva uma rotina aparentemente comum durante o dia, mas que, ao anoitecer, percorre os manguezais da cidade em busca de encontros clandestinos. A vida do personagem muda ao conhecer Jeremias, vivido por Ítalo Martins (O Agente Secreto e Guerreiros do Sol), um pescador cuja presença desencadeia uma transformação profunda. Enquanto uma ameaça violenta se aproxima do manguezal, os dois embarcam em uma jornada marcada pelo desejo, pelo risco e pela sobrevivência.

Cena de “A Margem do Rio”
A seleção para Locarno representa um novo marco na trajetória de Matheus Farias e Enock Carvalho, que chegam ao primeiro longa-metragem após consolidarem uma parceria em curtas exibidos em importantes festivais internacionais. Entre os principais trabalhos da dupla estão Inabitável (2020), selecionado para a competição do Festival de Sundance, e Queimando por Dentro (2024), apresentado na Première Brasil do Festival do Rio. Os filmes abordam temas como identidade, desejo e pertencimento, elementos que também estão em A Margem do Rio.
Além da direção, Matheus Farias vem se destacando como montador no cinema brasileiro contemporâneo. Ao lado de Eduardo Serrano, ele assina a montagem de O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, premiado em Cannes em 2025 com os troféus de Melhor Direção e Melhor Ator. Sua filmografia como montador inclui ainda Retratos Fantasmas (2023), também de Kleber Mendonça Filho, Propriedade (2022), de Daniel Bandeira, e o documentário Eros (2024), de Rachel Daisy Ellis.
Realizado na paisagem dos rios e manguezais recifenses, A Margem do Rio leva para a tela uma história que articula território, identidade e afetos em meio a um cenário permeado por tensões e violência. A estreia mundial em Locarno coloca o filme entre os principais representantes do cinema brasileiro na temporada internacional de festivais.
Concorrentes ao Leopardo de Ouro
- A Margem do Rio, de Matheus Farias e Enock Carvalho (Brasil/Alemanha);
- Alberi Erranti, de Salvatore Mereu (Itália);
- Brave New Love, de Maria Bäck (Dinamarca/Suécia/Grécia);
- D’Ici Là, de Sarah Leonor (França);
- I Rarely Wake Up Dreaming, de Isabelle Stever (Alemanha/Ucrânia);
- Ketticè, de Giovanni Tortorici (Itália);
- Lejos de los Árboles, de Meritxell Colell Aparicio (Espanha/Peru/Itália);
- Manhunt, de Wayne Wapeemukwa (Canadá);
- Nu e Locul Tu Aici, de Florin Șerban (Romênia);
- Nun Dul Dega Eomne (Nowhere to Lay My Eyes), de Hong Sang-soo (Coreia do Sul);
- O Jacaré, de Basil Da Cunha (Suíça/Portugal);
- Objet A, de Ann Oren (Alemanha/Luxemburgo/Grécia);
- Princesa Burro, de Cristóbal León e Joaquín Cociña (Chile/França/Uruguai/Países Baixos/Alemanha);
- Rehmat, de Gurvinder Singh (Índia/França);
- The House on the Moon, de Nelson Yeo (Singapura/Taiwan/Alemanha/Indonésia);
- Thính Giác (Hearing), de Lê Bo (Vietnã/Singapura/Noruega/França/Indonésia/Arábia Saudita/Camboja/Tailândia/Taiwan);
- Violence du Corps de l’Autre (Nobody’s Violence), de Denis Côté (Canadá).















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