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Festivais

20º Tiradentes (2017) – curtas

72 curtas sobre crise política, questões sociais e violência contra a mulher pontuam o festival mineiro.

Por Luiz Joaquim | 22.12.2016 (quinta-feira)

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Espaço de descobertas, experimentações e ousadias da produção audiovisual brasileira, a programação de curtas-metragens da 20ª Mostra de Cinema de Tiradentes exibirá 72 filmes originários de 11 estados brasileiros, divididos em 10 mostras temáticas. O evento acontece de 20 a 28 de janeiro, com exibições gratuitas nos três espaços a serem especialmente preparados: Cine- Praça (Largo das Fôrras), Cine-Tenda e Cine-Teatro (Centro Cultural Yves Alves).

A seleção dos curtas ficou a cargo do trio Francis Vogner, Pedro Maciel Guimarães e Lila Foster, coordenação de Cleber Eduardo. De um total de 770 títulos inscritos, os escolhidos vêm de Minas Gerais, São Paulo, Paraíba, Rio de Janeiro, Goiás, Espírito Santo, Pernambuco, Paraná, Ceará, Bahia e Rio Grande do Sul. As mostras temáticas são: Mostra Foco (11 curtas), Panorama (16), Homenagem (1), Praça (9), Cena Mineira (5), Cena Regional (9), Experimentos (4), Formação (8), Jovem (4) e Mostrinha (5).

Uma novidade em 2017 é a mostra Experimentos, que reúne filmes com novas proposições nas relações entre som e imagem casos de A propósito de Willer, de Priscyla Bettim e Renato Coelho (SP); Confidente, de Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes (RJ); Gozo/Gozar, de Luiz Rosemberg Filho (RJ); e Sem Título # 3 : E para que Poetas em Tempo de Pobreza?, de Carlos Adriano (SP).

Para Lila Foster, integrante da curadoria, o experimental chamou atenção no processo de seleção. “Teve uma quantidade expressiva de filmes com essas propostas e um desejo potente de tomar o cinema como arte autorreferencial e em ligação direta com o trabalho de poetas literários e cinematográficos”, diz ela. “A experiência com os aspectos plásticos e o registro do mundo natural condensaram um olhar para a matéria-prima do mundo artístico e da natureza, ressaltando que nossos olhos e ouvidos precisam existir, antes de tudo, de forma livre”.

Nas demais seções, a curadoria destaca a fortíssima presença de filmes que respondem a questões contemporâneas e urgentes, em âmbito político e social. “Temas como impeachment, crise política e manifestações populares, assim como a tragédia ambiental em Mariana, apareceram com muita força nos títulos deste ano”, afirma Pedro Maciel Guimarães. “Também as discussões de gênero, o empoderamento feminino e o posicionamento contra a cultura do estupro aparecem significativamente”.

Para Lila Foster, a dimensão estética dessas questões resultou em projetos realistas muitas vezes pontuados por aspectos fantásticos, distópicos ou a mistura de uma realidade bruta com toques de ficção científica. “Acho que o mais marcante foi a urgência em tratar de temas como a violência envolvida em todas as questões de gênero/sexualidade, o esgarçamento das relações sociais mediadas pela questão do trabalho, a crise nas cidades – a moradia, a violência urbana, o transporte –, a tensão que marca tanto a experiência individual como coletiva”, aponta ela.

Na Mostra Foco, a ser avaliada pelo júri da crítica e cujo ganhador leva o Troféu Barroco e prêmios de parceiros do festival para o incentivo a novas produções, os curtas, ainda que muito heterogêneos, caracterizam-se pelo impacto de suas proposições formais. “São filmes que conseguem equacionar seus objetivos políticos e de intervenção social através da forma cinematográfica e de sua força e gravidade”, comenta Francis Vogner. “São respostas estéticas às questões contemporâneas e também sobre o ofício artístico, marcados pelo caráter e a liberdade de criação”.

MOSTRA HOMENAGEM

A Miss e o Dinossauro, de Helena Ignez (SP)

MOSTRA CENA MINEIRA

Acaiaca, de Leonardo Good God (MG)

Constelações, de Maurilio Martins (MG)

Feminino, de Carolina Queiroz (MG)

Primeiro Ensaio, de Daniel Couto (MG)

Vem comigo, de Gabriel Quintão (MG)

MOSTRA PANORAMA

Abigail, de Isabel Penoni e Valentina Homem (RJ)

Ainda sangro por dentro, de Carlos Segundo (SP)

Aroeira, de Ramon Batista (PB)

As ondas, de Juliano Gomes e Leo Bittencourt (RJ)

Capital/Interior, de Danilo Dilettoso e Talita Araujo (SP)

Chico, de Irmãos Carvalho (RJ)

Demônia – Melodrama em 3 Atos, de Cainan Baladez e Fernanda Chicolet (SP)

Diamante, O Bailarina, de Pedro Jorge (SP)

E o Galo Cantou, de Daniel Calil (GO)

Hotel Cidade Alta, de Vitor Graize (ES)

O Delírio é a redenção dos Aflitos, de Fellipe Fernandes (PE)

O Mais Barulhento Silêncio, de Marccela Moreno (RJ)

O olho do cão, de Samuel Lobo (RJ)

Silêncios, de Caio Casagrande (RJ)

Solon, de Luana Melgaço (MG)

Stanley, de Paulo Roberto (PB)

MOSTRINHA

A Luta, de Bruno Bennec (MG)

As Aventuras do Chauá, de Alunos da Escola Municipal Santo Antônio do Norte (ES)

Caminho dos Gigantes, de Alois Di Leo (SP)

Lipe, Vovô e o Monstro, de Felippe Steffens e Carlos Mateus (RS)

Médico de Monstro, de Gustavo Teixeira (SP) — foto acima

MOSTRA JOVEM

A Antologia de Antonio, de Bruno Oliveira (RS)

CEP 05300, de Adria Meira e Lygia Pereira (SP)

Pai aos 15, de Danilo Custódio (PR)

Retorno, de Kaio Caiazzo (RJ)

MOSTRA REGIONAL

A Fita, de Lucian Fernandes Bernardes (MG)

Bento, de Luisa Bahury Assis Lanna (MG)

Cruzes de Tiradentes, de Thiago de Andrade Morandi (MG)

De quando em vez, de Jader Barreto Lima e Rafaella Pereira de Lima (MG)

Fé e Religiosidade, de Thiago de Andrade Morandi (MG)

Meninas de Ouro, de Carol Rooke (MG)

O Canto das Almas para Tiradentes, de Piettro Garibaldi e Murilo Romão (MG)

Ora Pro Nobis, de Thiago de Andrade Morandi (MG)

Vida tirana, de Marlon de Paula, Priscila Natany e Flávia Frota Resende (MG)

 CURTA NA PRAÇA

Deusa, de Bruna Callegari (SP)

Galeria Presidente, de Amanda Gutierrez Gomes (SP)

Impeachment, de Diego de Jesus (ES)

Kappa Crucis, de João Borges (MG)

Não me prometa nada, de Eva Randolph (RJ)

O Chá do General, de Bob Yang (SP)

Opala Azul Negão, de Rene Brasil (SP)

Procura-se Irenice, de Marco Escrivão e Thiago B. Mendonça (SP)

Tango, de Francisco Gusso e Pedro Giongo (PR)

MOSTRA FOCO

A Canção do Asfalto, de Pedro Giongo (PR)

A maldição tropical, de Luisa Marques e Darks Miranda (RJ)

Autopsia, de Mariana Barreiros (RJ)

Cinemão, de Mozart Freire (CE)

Estado Itinerante, de Ana Carolina Soares (MG)

Ferroada, de Adriana Barbosa e Bruno Mello Castanho (SP)

Minha única terra e na lua, de Sergio Silva (SP)

Nunca e noite no mapa, de Ernesto de Carvalho (PE)

Restos, de Renato Gaiarsa (BA)

Tempos de Cão, Ronaldo Dimer e Victor Amaro (SP)

Vando Vulgo Vedita, de Andreia Pires e Leonardo Mouramateus (CE)

 MOSTRA EXPERIMENTOS

A propósito de Willer (Regarding Claudio Willer), de Priscyla Bettim e Renato Coelho (SP)

Confidente, de Karen Akerman, Miguel Seabra Lopes (RJ)

Gozo/Gozar, de Luiz Rosemberg Filho (RJ)

Sem Título # 3 : E para que Poetas em Tempo de Pobreza?, de Carlos Adriano (SP)

MOSTRA FORMAÇÃO

203, de Luana Cabral e Luciana GB (ES)

A Água-viva não possui esqueleto, de Manoela Cezar (SP)

Alforria, de Bruno Rubim (MG)

Diva, de Clara Bastos (SP)

Do lar, de Erik Gasparetto (SP)

Obra Autorizada, de Iago Cordeiro Ribeiro (BA)

Obrigados, de Henrique Grise (SP)

Vazio Do Lado De Fora, de Eduardo Brandão Pinto (RJ)

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