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Críticas

Be Cool: O Outro Nome do Jogo

A galhardia mafiosa está de volta com direito a Uma e Travolta dançando outra vez

Por Luiz Joaquim | 07.09.2018 (sexta-feira)

– publicado originalmente em 15 de abril de 2005 no jornal Folha de Pernambuco

Ao som de “Earth, wind e fire”, vemos um John Travolta dono de si e um James Woods pululante rodando num Cadilac pelas ruas de Hollywood. O primeiro explica que vai deixar de produzir filmes pelo seu desencanto com as limitações criativas imposta pela indústria cinematográfica. O segundo tenta convencê-lo a produzir um filme a seu respeito, com o submundo da música de pano de fundo. É o começo de Be cool: O outro nome do jogo (Be Cool, EUA, 2005), filme de F. Gary Gray, que dá continuidade à O nome do jogo rodado por Barry Sonnenfeld há dez anos.

Travolta faz o mesmo Chilli Palmer do filme de 1995. Um sujeito elegante, tranqüilo e cheio de sabedoria das ruas para conseguir bons negócios ou apenas se safar da bandidagem. É o tipo que melhor sabe fazer. Agora ele aparece cansado e pronto para mudar de ramo. Vai para a indústria fonográfica disposto a lançar uma nova diva pop, que aparece na figura de Linda Moon (a cantora pop Christina Milian).

Moon é mais uma das milhares de meninas de corpo OK que gritam esticando o ‘aaaaaa’ nas canções; mas Chilli enxerga nela um belo cifrão gigante e decide começar sua nova carreira lançando a garota no mercado. Ao mesmo tempo, Chili ajuda a bela Edie (Uma Thurman), a recém-viúva do diretor de uma gravadora em Los Angeles que a deixou numa dívida com os mafiosos (que inclui Andre Benjamin do Outkast) de outra gravadora.

Ainda na briga pelo contrato de Moon está Harvey Keitel, espécie de cafetão musical da moça, que ordena seu protegido “que pensa que é negro”, o Raji (Vince Vaughan), e seu gardar-costas homossexual enrustido e aspirante a ator (numa participação hilária de The Rock), a matar Chilli Palmer. Há ainda na confusão, um bando de russos que, matando o marido de Edie, dão todo o mote do filme.

Com diálogos afiados e tipos absurdamente caricaturados, como a gang negra, ou o gay de The Rock, ou o “negro” de Vince Vaughan, além da participação de estrelas da área, com Steven Tyler do Aerosmith, o diretor Gray foi competente ao levar à tela mais uma história de Elmore Leonard, autor talentoso de roteiros pérola para o cinema como Jack Brown (1997) ou Irresistível paixão (1998).

E é claro que, depois de Pulp fiction (1994), todo filme com Travolta e Uma contracenando espera-se uma seqüência com o casal bailando. Gray sabia disso e não decepciona ninguém.

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