
Globo anuncia cinebiografia de Glauber Rocha
Anunciado em Cannes, filme adapta livro de Nelson Motta sobre a juventude do cineasta baiano
Por Yuri Lins | 15.05.2026 (sexta-feira)
— Com informações da assessoria Primeiro Plano.

Capa de A Primavera do Dragão, livro de Nelson Motta que inspira a nova cinebiografia de Glauber Rocha.
Quase seis décadas após conquistar o prêmio de melhor direção em Cannes com O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969), Glauber Rocha retorna ao festival francês, desta vez como personagem. A Globo Filmes anunciou, na última quarta-feira (14), durante a atual edição do evento, sua entrada como coprodutora de A Primavera do Dragão, longa-metragem inspirado nos anos de formação do cineasta baiano e baseado no livro homônimo de Nelson Motta, lançado em 2011.
Publicada pela editora Objetiva, a obra A Primavera do Dragão: A Juventude de Glauber Rocha acompanha os passos iniciais do diretor, desde sua efervescência intelectual na Bahia até o reconhecimento internacional com Deus e o Diabo na Terra do Sol. Ao resgatar o ambiente cultural de Salvador nos anos 1950 e 1960, o livro entrelaça a ascensão de Glauber ao nascimento do Cinema Novo e de uma geração empenhada em revolucionar a arte brasileira. Entre bastidores, episódios políticos e memórias de suas passagens pela Riviera Francesa, o texto combina rigor biográfico e tom ensaístico, marca registrada da escrita de Motta.
O anúncio no festival carrega forte simbolismo. Foi ali que o cineasta se consagrou mundialmente ao se tornar, em 1969, o primeiro latino-americano a vencer o prêmio de direção. Antes disso, Glauber já havia disputado a Palma de Ouro com Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) e Terra em Transe (1967), obras cruciais para projetar o cinema nacional no circuito estrangeiro.
A cinebiografia será dirigida e roteirizada por Rodrigo de Oliveira, com filmagens divididas entre Salvador, Rio de Janeiro e Cannes. Natural de Volta Redonda (RJ), o diretor despontou na década de 2010 transitando entre a ficção, o documentário e o ensaio. Estreou em longas com As Horas Vulgares (2011) e Teobaldo Morto, Romeu Exilado (2015). Em seus projetos recentes, Oliveira tem se dedicado à memória cultural do país, como em Todos os Paulos do Mundo (2018), trabalho codirigido por Gustavo Ribeiro e focado no ator Paulo José. Seus trabalhos costumam articular pesquisa histórica e imagens de arquivo sob uma ótica não convencional, premissas que agora guiam seu olhar sobre Glauber.

O diretor Rodrigo de Oliveira. Foto: Leo Lara
A produção é encabeçada pela Bananeira Filmes, em parceria com a RioFilme e com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), enquanto a distribuição nacional ficará a cargo da Imagem Filmes.
Ainda sem data de estreia definida, A Primavera do Dragão integra uma safra recente de produções dedicadas a resgatar ícones da cultura brasileira. No caso de Glauber, o desafio será transpor para as telas uma figura cuja relevância transborda as salas de cinema, ecoando em debates políticos e estéticos que continuam a moldar a cultura do país.
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