
50ª MostraSP ’26, KMF, O Que Pertence aos Outros
Kleber Mendonça, Emilie Lesclaux e James Gray abrem o evento, e os poloneses dão as caras nesta edição
Por Luiz Joaquim | 16.10.2026 (sexta-feira)
– na foto divulgação da Mostra de SP, Kleber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux na noite de abertura do evento, na suntuosa Sala São Paulo.
SÃO PAULO (SP) – E começou a 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, a festa cinematográfica (podemos chamar assim) de duas semanas que domina a capital paulista. E, tecnicamente, começou com Pernambuco (e Teerã), pelo curta-metragem Ao sul de Teerã, que Kleber Mendonça Filho. Trabalho que o cineasta preparou para o Festival de Cinema de Nova Iorque (NYFF) e ganhou, aqui na Mostra de SP, sua primeira exibição no Brasil.

James Gray
Aconteceu na noite da quarta-feira (14), na bela Sala São Paulo, antecedendo a exibição de Tigre de papel, longa-metragem de James Gray, homenageado desta edição. Na programação do evento, Teerã e Tigre de papel somam outras três sessões, juntos: ontem (15), hoje (16) às 19h no Espaço Petrobrás de Cinema – lá, KMF também lançará, mais cedo, às 16h, o seu livro-roteiro de O agente secreto. Teerã exibe ainda no 27/10, às 21h, no Cultura Artística.
Ontem à tarde, Kleber, com Emilie Lesclaux, também participou do Esquenta encontro, programa da Mostra, na mesa Estratégias do Oscar e distribuição, ao lado de Ryan Werner (NEON, distribuidora norte-americana), o produtor Rodrigo Teixeira e Vinícius Pagin (da distribuidora Diamond Films).
POLONESES – Um dos filmes mais cobiçados nesta 50ª edição é Terra do meu pai (leia crítica de Ivonete Pinto aqui), do polonês Pawel Pawlikowski – de Meu amor de verão; Ida e Guerra fria.
Terra do meu pai terá sua primeira exibição em São Paulo neste domingo (18), mas ontem (15), o conterrâneo de Pawlikowski, Grzegorz Dębowski, exibiu aqui o não menos forte O que pertence aos outros (Cudze Rzeczy) – filme que integrou, há dois meses, a seleção do Festival de Veneza.

Monika Sabina Kwiatkowska como Kasia em cena de “O que Pertence aos Outros”
Há uma crueza na forma como Dębowski apresenta seus personagens e a sua história, e não apenas Dębowski, podemos dizer, mas o cinema polonês de uma forma geral (ao menos os que chegam ao Brasil).
E essa crueza costuma casar muito bem com o que aquele cinema quer realçar: Frieza nos relacionamentos pessoais, uma desesperança no mundo e o convívio social como algo inóspito.
É nesse ambiente que conhecemos Kasia (Monika Sabina Kwiatkowska, precisa) que, ao lado do namorado (Robert Mania) aplica pequenos furtos invadindo condomínios populares e entrando em apartamentos que porventura estejam com a porta destrancada.
Numa dessas investidas, encontro o corpo de um homem e foge assustada. Com as crescentes complicações com o namorado que a explora, a humilha e a maltrata com um rigor sistemático, a cabisbaixa Kasia volta ao apartamento do morto para lá se alojar
Sozinha e solitária, Kasia vai se movimentando erraticamente em busca do passado daquele estranho e, sem perceber, se emaranha na sua família, fazendo crescer uma mentira entre os dois, ela e o morto, a qual se torna uma tábua de salvação contra a sua solidão.
É bonito como Dębowski, ao final, dá voz, literalmente, a Kasia para ela verbalizar sobre o homem de seus sonhos, projetado naquele morto. É como se finalmente pudéssemos testemunhar e mensurar o tamanho da conturbação interna na cabeça da protagonista, que vinhamos acompanhado nos 100 minutos iniciais do filme apenas pelo o que os rosto duro e os olhos tristes da atriz Kwiatkowska nos entregavam.
O que pertence aos outros ainda não tem distribuição no Brasil.















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