
A Batalha do Chile
Um filme a não ser esquecido
Por Humberto Silva | 09.10.2026 (sexta-feira)
A morte recente de Patricio Guzmán (1941-2026) despertou pouquíssima atenção midiática para quem assina a direção de um dos documentários políticos mais importantes já realizados na América Latina: A batalha do Chile, concebido entre 1975 e 1979. Programado para a 50ª edição da Mostra de Cinema de São Paulo, nutro expectativa de que, ao contrário do desaparecimento de seu realizador, sua exibição não passe em brancas nuvens. Em tenebroso tempo de listas e infindas e exaustivas e fúteis listas de filmes que correm em carrosséis em Reels em Tiktoks em redes sociais, A batalha do Chile não deveria se ausentar de uma lista com as obras-primas do cinema político que jamais deveriam ser esquecidas.
A se acentuar que Guzmán foi essencialmente um documentarista. Sua única obra de ficção, La rosa de los vientos (1983), com recepção negativa o desestimulou de ter outra experiência ficcional. Como as palavras “cinema” e “ficção” para o vulgo se entrelaçam numa generalização de sentido tendo o documentário como “primo pobre”, talvez por isso sua persona não tenha hoje, como teve outrora circunstancialmente, a visibilidade que deveria.

La rosa de los vientos (1983), única ficção dirigida por Patricio Guzmán
Especulação, apenas. O que importa é que, embora bastante produtivo ao longo de quase sessenta anos de estrada, no catálogo de sua extensa filmografia – tendo quase sempre o Chile como assunto – além de A batalha do Chile o restante da lista está anos-luz da relevância deste filme como marco histórico. Segue-se que A batalha do Chile é não só sua obra-prima como com esta Guzmán não precisaria ter feito mais nada em cinema para ter seu nome devidamente lembrado como um dos mais relevantes cineastas da América Latina. No cinema, de fato, para poucos cineastas uma única obra é suficiente para deixar marca indelével. São segredos indecodificáveis da Sétima Arte propalada por Racciotto Canudo.
Com efeito, vejamos a singularidade da estrada palmilhada por Patricio Guzmán. Sua formação inicial na Universidade do Chile foi ampla e dispersa: frequentou sem os concluir, entretanto, o curso de teatro na Faculdade de Artes, o de história no Instituto Pedagógico e o de filosofia na Faculdade de Filosofia e Humanidades. Mas, entusiasmado pelo cinema, abandonou o curso de filosofia depois que, em 1964, se matriculou no Instituto Filmico da Universidade Católica do Chile, onde teve sua primeira experiência com o audiovisual. A realização, como estudante, de uma animação no formato de curta-metragem, Viva la liberdad (1965), foi calorosamente recebida no meio universitário e o impulsionará à direção. De sorte que, a recepção favorável dessa primeira experiência o levou a completar em 1969 os estudos de direção de cinema na Escola Oficial de Cinematografia de Madrid.

Viva la liberdad (1967)
Graduado em direção de cinema em Madri, em 1970 Guzmán voltou ao Chile. Não obstante, antes do golpe militar que levou Augusto Pinochet ao poder em 1973, ele não se firmou efetivamente como nome representativo do cinema chileno mundo a fora. Sua atuação nos anos que antecederam o golpe, em boa medida sem grandes ambições, se fixou basicamente na organização de materiais fílmicos para frentes sindicais e movimentos sociais chilenos que demandavam registros visuais da época. Como resultado, ele realizou o curta-metragem documental Chile, elecciones municipales (1970) e seu primeiro longa-metragem O primeiro ano (1971), o qual registra as mobilizações populares e as transformações sociais no Chile nos primeiros doze meses de Salvador Allende no poder. O primeiro ano, assim, pode ser considerado como passo inicial à posterior realização de A batalha do Chile. Aliás, além deste, O primeiro ano igualmente será exibido na 50ª Mostra de Cinema de São Paulo.
Insólitas circunstâncias de realização de A batalha do Chile
Do que se expôs aqui a se extrair que, como para tantos chilenos, o golpe de 73 foi o ponto de inflexão na vida de Guzmán. Preso no Estádio Nacional em seguida à tomada do poder pelos militares, após ser libertado ele passou a viver no exílio, onde forjou a realização de A batalha do Chile. Para que desse impulso a esse projeto, no entanto, ele precisaria ter em mãos as filmagens que havia feito antes do golpe. Os rolos originais dessas fitas, contendo cerca de oitenta horas de material gravado, temendo que fossem confiscados e destruídos pelos militares, foram escondidos por sua equipe e familiares. Para que esse material saísse do Chile e Guzmán tivesse acesso a ele, a logística envolveu o embaixador sueco Gustav Harald Edestam. Com intervenção dele, os rolos de filmes entraram cladestinamente como mala diplomática em um navio mercante sueco, que os levou inicialmente para a Suécia. Assim, da Suécia, portanto longe do alcance da ditadura de Pinochet, os rolos foram despachados de avião para Havana em Cuba.

A Batalha do Chile – Parte I – A Insurreição Da Burguesia (1975)
Para que esse material fosse acolhido e Guzmán tivesse uma infraestrutura apropriada para sua edição, entretanto, ele contou com a colaboração de Chris Marker, que em viagem ao Chile em 1972 para filmar como o país vivia sob Allende deparou-se e entusiasmou-se com O primeiro ano. Marker decidiu então comprar os direitos para exibição deste documentário na França. Bem, mas, uma vez que Guzmán não era exatamente um cineasta suficientemente conhecido, dadas suas boas relações com Fidel Castro por ter feito um documentário apologético deste líder revolucionário cubano, Cuba Si! (1961), Marker intercedeu diretamente junto ao governo cubano para que os rolos de filmes chegassem à ilha caribenha e fosse disponibilizada no ICAIC (Instituto Cubano del Arte e Industria Cinematográficos) uma sala de edição na qual ele pudesse trabalhar.
Marker, aliás, que com seu prestígio obteve a anuência de Fidel para a realização de A batalha do Chile, foi peça-chave para que Guzmán pudesse filmar o material bruto antes do golpe. Ao tomar conhecimento das dificuldades enfrentadas por ele para obter películas em razão do boicote econômico a que o Chile estava submetido, Marker enviou da França caixas lacradas de rolos de filmes em preto e branco de 16 mm, além de gravadores e fitas de áudio. Foi com esse material que a equipe de Guzmán conseguiu registrar os meses que antecederam o golpe.

¡Cuba Sí! (1961), de Chris Marker
Com os rolos acolhidos então pelo ICAIC, do exílio na Espanha Guzmán rumou a Cuba para levar adiante a realização de A batalha do Chile. Tendo em mãos o material bruto, o passo seguinte foi o de organizá-lo com o fim de dar uma estrutura com uma edição que resultou na forma que veio a ter. No caso, um filme com quase cinco horas de duração dividido em três partes: “A insurreição da burguesia” (1975), “O golpe de Estado” (1976) e “O poder popular” (1979). Na sala de edição do ICAIC, tendo como parceiro o montador chileno Pedro Chaskel, as oitenta horas de material bruto foram transformadas numa obra estruturada de modo a conter os princípios da montagem dialética soviética, o uso de voz-over conforme o modo documental expositivo e, para cenas de ruas em manifestações populares e assembleias com lideranças sindicais e trabalhadores, a adoção de procedimentos do modo observacional do cinéma verité.
A trilogia como concebida por Guzmán
A parte 1 de A batalha do Chile, “A insurreição da burguesia”, começa com destaque às eleições parlamentares de marco de 1973. De modo alternado, seguindo a montagem dialética, Guzmán dá voz a quem apoia o governo Allende e, na mesma medida, aos opositores. Até aquelas eleições, como se evidencia pelos depoimentos no calor das manifestações, apesar de se opor veementemente a Allende a “burguesia” apostava na via constitucional. Com uma vitória nas urnas seria aberto o caminho para que o Congresso pudesse legalmente aprovar o impeachment de Salvador Allende. Contudo, a oposição foi derrotada e a partir da derrota nas eleições de março grupos de extrema-direita, a “classe patronal” e segmentos militares passaram a agir explicitamente para desestabilizar o governo, gerar o caos e assim justificar que a solução para a crise política estaria no golpe.
A montagem de “A insurreição da burguesia” segue então um ritmo no qual tensões e confrontos violentos crescem de modo exponencial até a exibição de que, no final de junho, menos de três meses antes do golpe final, houve uma tentativa fracassada para derrubar Allende. Essa intentona passou à história com o nome de “Tanquetazo”, pois os militares revoltosos cercaram o Palácio de la Moneda, sede do governo, com tanques de guerra. No filme, as imagens dessa intentona foram gravadas pelo cinegrafista argentino Leonardo Henrichsen, que na ocasião acabou filmando sua própria morte. Henrichsen não fazia parte da equipe de Guzmán. Ele trabalhava de forma independente como correspondente estrangeiro para o programa jornalístico Rapport, do canal de televisão pública sueco SVT. Henrichsen estava em Santiago para cobrir a crise política chilena. A gravação de seu assassinato ganhou repercussão mundial. Ciente do impacto histórico e jornalístico daquelas imagens, Guzmán obteve o material e o incorporou à montagem para encerrar a parte 1 de A batalha do Chile.

A Batalha do Chile – Parte I – A Insurreição Da Burguesia (1975)
A parte 2, “O golpe de Estado”, cobre os dias que se sucedem ao Tanquetazo até o bombardeio do Palácio de la Moneda e a queda de Allende em 11 de setembro de 1973. As imagens com condução expositiva seguem o ritmo da montagem dialética. Nessa segunda parte, Guzmán exibe como a intensificação da crise que se seguiu ao fracassado Tanquetazo deixa sinais evidentes de que o golpe se anunciava. Com o recrudescimento das tensões, segmentos golpistas das Forças Armadas passaram a atuar às claras. Amparados pela Lei de Controle de Armas aprovada pelo Congresso em 1972, setores veladamente insurretos das Forças Armadas, com apoio da extrema-direita, realizavam violentas operações de busca de armamentos que estariam em poder de milícias ou grupos subversivos de esquerda.
Essas ações carregam duas ironias. De mãos atadas à legalidade, mesmo sabendo que elas ocorriam Allende nada podia fazer além de exibir contrariedade retórica. E é igualmente irônico que, justamente por serem legais nada impedia que fossem filmadas por órgãos de imprensa que, no turbilhão das operações, não havia como serem identificados. Assim sendo, pois não eram impedidos de filmar, em A batalha do Chile as imagens das violentas ações dos militares a procura de armas em grupos de esquerda foram obtidas pela própria equipe de Guzmán. Foram captadas pelo cinegrafista Jorge Müller Silva que, após o golpe, permaneceu no Chile, acabou preso pela Polícia Secreta de Pinochet (DINA) e do qual até hoje não se sabe que fim foi dado.

A Batalha do Chile (1975) – Parte II – O Golpe De Estado
As imagens que ele captou das ações dos militares a procura de armas realçam, de um lado, a fragilidade e impasse do governo em seus momentos finais e, de outro lado, a fragmentação e dispersão tanto quanto intimidação de quem pudesse resistir ao golpe cada vez mais eminente. Entre a cruz e a espada, a situação era a de se manter na legalidade e aguardar resignadamente o desenlace dos acontecimentos ou se armar para resistir ao que se anunciava à luz do dia. Sem armas para quem pudesse resistir, o golpe foi dado sem que houvesse qualquer possibilidade de resistência.
A parte 3, “O poder popular”, traz uma diferença com respeito às anteriores. Seu foco é o registro de depoimentos e manifestações de rua daqueles que apoiavam Allende. Guzmán se concentra nos anos de 1972 e 1973, quando o governo enfrentou um forte boicote econômico e greves patronais financiadas pela extrema-direita e apoiadas pelos USA. Essencialmente, a parte 3 de A batalha do Chile mostra como a população civil se organizou de forma autônoma por meio de Comitês Populares, abastecimento direto frente à escassez de alimentos provocada pelo mercado negro, paralização de transportes, ocupação e autogestão de fábricas. A equipe de Guzmán acompanhava em registro direto nos moldes do cinéma verité assembleias de trabalhadores, discussões e o sentido de uma vida comunitária que foi brutalmente esmagada pela ditadura.
Aclamação de um filme marco do cinema político documental
A se considerar, portanto, que a projeção meteórica de Guzmán como cineasta documental político laureado internacionalmente está atrelada à infausta condição de exilado político em razão da forte repressão imposta pela ditadura chilena. Sob esse aspecto, importante frisar, ainda que O primeiro ano possa ser visto como primeira parte de uma tetralogia do que posteriormente se configurou como a trilogia A batalha do Chile, as condições para sua realização foram tão distintas que, assim entendo, não permitem defender tal suposição. O primeiro ano exibe o clima de otimismo, pois, do primeiro ano de um governo de viés socialista que chegou ao poder pela via constitucional. Realizado no exílio em Cuba, enquanto o Chile vivia em meio à ditadura instaurada com a queda de Allende, a trilogia A batalha do Chile exibe melancólica e tragicamente como o país chegou à situação em que estava.

A Batalha do Chile (1975) – Parte II – O Golpe De Estado
“A insurreição da burguesia”, parte 1 da trilogia, foi exibida pela primeira vez no mês de março de 1975 em Cuba. E dois meses depois teve seu lançamento internacional no Festival de Cannes, na mostra paralela Quinzena dos Realizadores. A recepção em Cannes causou enorme impacto crítico. Reconheceu-se imediatamente A batalha do Chile – A insurreição da burguesia como um dos marcos mais importantes do cinema político documental de todos os tempos. O influente crítico francês Louis Marcorelles escreveu para o Le Monde o artigo La violence quotidienne. Nesse artigo, ele assevera que se trata do primeiro grande clássico de um novo tipo de cinema político, pois o filme de Guzmán se notabiliza pela capacidade de captar as estruturas de classes do Chile em tempo real, sem imagens de arquivo.
Na sequência da recepção em Cannes, Guzmán levou “A insurreição da burguesia” para Grenoble, de onde saiu como vencedor do Grande Prêmio do Festival. Na ocasião, novamente para o Le Monde, Marcorelles aproveitou o feito e realizou uma longa entrevista com Guzmán e Pedro Chaskel, o montador do filme. A premiação em Grenoble, de fato, selou A batalha do Chile como marco incontornável do cinema político documental, assim como gerou expectativa para a parte 2, “O golpe de Estado”.

A Batalha do Chile (1975) – Parte III – O Poder Popular
A parte 2, no ano seguinte então, seguiu o mesmo trajeto: Cuba, Cannes, Grenoble. E novamente Guzmán saiu como vencedor do Grande Prêmio de Grenoble. Caso faltasse algo para selar definitivamente o reconhecimento de A batalha do Chile em âmbito mundial, esse algo veio da crítica norte-americana Pauline Kael, que ao assistir às duas partes do filme sentenciou na The New Yorker que “grandes filmes raramente chegam tão sem aviso”. Ao assim proferir, Kael dá a medida do quanto o até então desconhecido Patricio Guzmán meteoricamente se projetou como nome de proa no cinema mundial.
Ao contrário das partes anteriores, contudo, a 3 não seguiu o caminho Cuba, Cannes e Grenoble. De Cuba, Guzmán veio para o Brasil, onde pela primeira vez sua trilogia foi exibida internacionalmente na íntegra, na 3ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 1979. Já então consolidado como estrela internacional naquele momento, sua trilogia ratificou essa posição tanto quanto, justamente a parte 3, não foi recebida com o mesmo furor das anteriores.
Há um dado aqui que julgo importante ressaltar. Como era de se esperar, a surpresa causada pelas duas primeiras partes não se repetiu. Em decorrência, a recepção crítica da parte 3 acabou sendo um tanto protocolar. Mas há outro dado que igualmente creio vale ressaltar. As duas primeiras partes de A batalha do Chile formam uma unidade estrutural que, de meu ponto de vista, se dilui com a inclusão da terceira. A questão, assim entendo, é de concepção, de projeto. Guzmán não tinha em vista inicialmente fazer uma trilogia, como explicitamente declarou a Louis Marcorelles na entrevista que concedeu ao Le Monde após a exibição da parte 2 no Festival de Cannes em 1976. Diante da repercussão internacional das partes 1 e 2, e com o material de filmagens que dispunha, oitenta horas de gravação, ele foi seduzido a realizar a parte 3.

A Batalha do Chile (1975) – Parte III – O Poder Popular
A esse respeito, um tanto de circunstâncias melindrosas que enovelam o jogo de interesses de projeção e circulação de um filme e seu processo de criação enquanto obra estritamente cinematográfica. Com o material que dispunha, por que encerrar a obra numa trilogia? Das oitenta horas que teve em mãos não caberia uma tetralogia? O que ficou de fora? Por outro lado, volto a O primeiro ano. Uma vez que me parece justificável não o ter incluído no corpo de A batalha do Chile, sinto na mesma proporção que “O poder popular” é um corpo estranho na composição da trilogia. Com isso, não diminuo a importância da parte 3. Apenas destaco a estranheza que me casou ao ver a trilogia na íntegra.
***
Por fim, uma sugestão para o que acredito se deva fazer diante da trilogia A batalha do Chile. Vê-la tendo presente o que tacitamente é sugerido. No caso, a espinhosa questão da inevitabilidade do golpe militar. As imagens e a condução expositiva que vemos, com efeito, como efeito da montagem, deixam no ar que a crise política no Chile teria como desfecho o golpe que efetivamente foi dado. Agora, sim, Guzmán e Chaskel editaram e montaram o filme com o golpe consumado. Ou seja, para eles, quando vistos retrospectivamente, há uma escalada de acontecimentos com desfecho inexorável. O filme, contudo, não exibe nenhum sinal, nem tenho conhecimento, de que em algum momento Allende sinalizasse para uma saída inconstitucional, se antecipasse com isso para abortar o golpe eminente ou mesmo, no limite, desse um autogolpe.

Patricio Guzmán (1941-2026)
O caso é que no ponto em que as coisas chegaram, como retrospectivamente as imagens e a voz-over na trilogia evidenciam, não havia saída possível dentro da legalidade. E isso é sutilmente sugerido por um trabalhador da mina de carvão de Lota, histórica cidade mineradora do Chile, nas imagens finais da parte 3, ironicamente intitulada “O poder popular”. Ocorre que, ao não procurar saída fora da constitucionalidade, tendo ciência da escalada dos acontecimentos e do golpe eminente, Allende pôs na gaveta um ensinamento básico de Maquiavel: para evitar um mal maior, o Príncipe deve ser compelido a fazer um mal menor. À medida que não o fez, sequer teria cogitado, de algum modo as decisões de Allende precipitaram a desgraçada situação a que o Chile chegou com os dezessete anos da ditadura Pinochet.
A virtù do Príncipe é justamente pôr na balança e pesar o que se perde numa decisão crucial quando o que está no horizonte é a permanência no poder. “É agora ou nunca!”, exclama o trabalhador da mina de carvão na cena final. Na batalha do Chile Salvador Allende, atado ao idealismo utópico para a aludir a Maquiavel, não ouviu a exclamação do trabalhador e A batalha do Chile então tristemente responde: nunca. E a trilogia assim se encerra.















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