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Morreu Zé Ninguém

Câmera clara 96

Por Luiz Joaquim | 28.01.2007 (domingo)

Morreu, segunda-feira passada, Heath Ledger (foto), aos 28 anos. Há uma comoção mundial entre os fãs do australiano, e também entre aqueles que apenas acompanhavam, sem muito frisson, o trabalho do talentoso ator. De vários veículos da mídia, de várias personalidades do meio cinematográfico estrangeiro, escutam-se, com justiça e legitimidade, depoimentos sobre como foi grande a perda no meio do entretenimento. A morte de algumas celebridades, e esta sensação de estupefação que se segue a seu anúncio, sempre estimula pensar sobre o valor da vida e como a mídia reorganiza esses sentimos em nós, consumidores de informação. Pela perspectiva de algumas religiões, a vida tem o mesmo valor. Seja a de Ledger, a de Kailin See (a última pessoa na lista dos figurantes em “O Segredo Brokeback Mountain”), ou a do mendigo que dorme ali na calçada da esquina. Todas essas vidas valem iguais, dirá um cristão. Entretanto, é evidente que muitos poucos deverão chorar pela morte do Zé Ninguém na esquina. Mas esta não deveria ser uma medida de valoração para a vida dele (ou de qualquer um). Costuma-se confundir (e a mídia ajuda nisso) o valor da vida com o quanto a existência das pessoas influenciou (ou não) na sociedade em que vivem. Todas as lágrimas para Ledger são autênticas, resta prestar mais atenção também em Kalin See e Zé Ninguém lá na esquina, independente do que fala a imprensa.

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Ledger
A última produção em que Heath Ledger (foto) trabalhava era “The Imaginarium of Doctor Parnassus”, de Terry Gilliam (“Os Irmãos Grimm”). Sua última participação no set de filmagem foi no sábado, dia 19. Novas filmagens, com o fundo verde para depois sobrepor imagens digitais, serão canceladas. Gilliam tem agora uma grande problema a resolver. O Dr. Parnassus do título é o Christopher Plummer, que tem o poder de manipular a imaginação das pessoas. Ledger seria um viajante que se une ao grupo de Parnassus.

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Tiradentes 1
Isabelle Barros, lá da Mostra de Tirandentes, lembra que, se Carlão Reichenbach (foto) se viu injustiçado em novembro pelo júri do Festival de Brasília (fazendo-o anunciar que nunca mais colocaria um filme seu numa mostra competitiva), disse agora ter percebido a Mostra de Tiradentes como uma bela janela de exibição. Lá, “Falsa Loura” não só abriu bem o evento como sua protagonista, Rosanne Mulholland, foi homenageada.

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Tiradentes 2
Na manhã de sexta-feira passada, no debate de “Amigos de Risco” (ADR) em Tiradentes, Daniel Bandeira (foto) abriu a conversa com o público com uma brincadeira: “Quem advinhar minha maior influência na concepção de ADR, ganha uma cerveja!”. A julgar pelas respostas (todas) erradas, a pergunta foi difícil, mesmo para a platéia preparada da Mostra. A resposta, à propósito, é “O Ódio”, de Mathieu Kassovitz.

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