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Reportagens

Um documentário para estraçaiá

Pugilista Todo Duro ganha documentário

Por Luiz Joaquim | 25.10.2010 (segunda-feira)

Há cerca de um mês, o produtor Tiago Leitão, da Opara Filmes, trafegava pela Estrada do Encanamento (zona norte do Recife) e esbarrou num ídolo cuja carreira acompanhara 15 anos antes. Era Luciano Torre, ou melhor, Todo Duro, alcunha que tornou internacionalmente famoso o pugilista pernambucano. Desde então, Tiago colocou na cabeça que faria o documentário “Vou Estraçaiá” – seu primeiro de cunho pessoal – resgatando a esquecida história do herói dos ringues no Estado.

“Como qualquer pernambucano que gosta de esportes, eu sempre via com muito interesse a trajetória de Todo Duro e o folclore que o cercava até alcançar o título mundial pela World Bridge Series Championships”, conta Tiago, que já está na reta final das gravações. Com sua enxuta equipe de quatro técnicos, e uma câmera Panasonic HPX170, o realizador estava reunido quarta-feira em Setubal, na Academia Pantoja, reconhecido espaço dos pugilistas no Estado desde 1992.

“Este é um filme sem nenhum apoio oficial do governo, apenas parcerias com a ‘Audiola’ para a trilha sonora, com a ‘4ª Dimensão’ para a composição gráfica, e com a TV Globo, que cedeu imagens de arquivos muito importantes das disputas de Duro com o baiano Reginaldo Holyfield, no final dos anos 1990” , ressalta Tiago.

Satisfeito com a aproximação com o ídolo, Tiago conta que é o próprio pugilista quem irá contar sua história. “Com a convivência nesses dias, ele vem se soltando e contando muitos casos fortes, como a da época em que precisava comer resto de comida do matadouro para poder treinar, ou sobre a pessoa que o inspirou para o boxe”, adianta.

A produção também escutou parentes e pessoas que viram a ascendência do esportista. “Entrevistamos seu pai, de 102 anos, e sua filha, Luana, de 11, estudante da 5ª série, que, como diz o próprio Todo Duro, ela é hoje sua empresária comercial e espiritual. Ele conta que se ela existisse há 15 anos, Duro não estaria como está hoje”, fala Tiago. E recorda: “Até para negociar a feitura deste filme, tivemos que falar com Luana”.

Enquanto Tiago registrava imagens do boxeador no ringue da academia, em combate com o colega Glauber Barbosa, Todo Duro mostrava-se tão à vontade que parecia um veterano na frente das câmeras.

Respondendo à pergunta se era mais difícil ficar sob a mira de uma câmera ou sob a mira do punho de um adversário, Duro não hesitou: “Difícil é não ter apoio do governo para continuar treinando. Eu só tenho três padrinhos: Oscar Paes Barreto, Luís Aciole e Dr. Marcos Veras”, contou, em agradecimento.

Empolgado com a movimentação ao seu redor, o pugilista avisa que está treinando novamente e quer, até o final deste ano, voltar aos ringues, desta vez não pra encenar. Mas, perguntamos, está voltando com que idade mesmo? “Num tem nada de idade. Pode botar qualquer jovenzinho ali em cima comigo (apontando pro ringue) que eu vou ‘estraçaiá’?”, responde com um golpe no ar, quase acertando um cruzado no coitado do repórter

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