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Entrevistas

Entrevista: Daniel Ribeiro

Ribeiro: No curta experimentei a estética que queria

Por Luiz Joaquim | 23.04.2014 (quarta-feira)

Entre um super-herói norte-americano, uma figura bíblica, uma arara azul e três mulheres em alto-mar em busca de homens está a história de três adolescentes discreta e fortemente chamando a atenção do mercado exibidor cinematográfico brasileiro. É o filme “Hoje eu Quero Voltar Sozinho”, de Daniel Ribeiro, cujo público já acumulava 34.414 espectadores até 13 de abril, exibindo em 33 salas de cinema.

Parece pouco? Não é. Numa conta rápida, veremos que a frequência média por sala é 1.042 pagantes. Para o “Capitão América 2”, que estreou na mesma data em 1.070 salas (e somou 1,1 milhão de espectadores no mesmo período), a média foi de 1.033 pagantes por sala, ou seja, menor que a do filme brasileiro.

Hoje, o diretor Daniel Ribeiro está no Recife para apresentar a sessão das 20h10 de seu filme no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco e, logo após a projeção, conversar com o público sobre este sucesso e outras questões. Na pauta está como foi a passagem de seu curta-metragem (“Eu não Quero Voltar Sozinho”, 2010) com o mesmo trio de protagonistas para o projeto do longa; quais os cuidados na condução dessa história íntima entre adolescentes, e quais suas inquietações como realizador.

O sucesso do curta-metragem estimulou a realização do longa, ou independente daquele sucesso o projeto de HOJE EU QUERO VOLTAR SOZINHO já existia?

O projeto do longa já existia desde o curta. O curta nasceu de uma vontade de experimentar a estética do filme e também o trabalho com os atores, principalmente porque teria que trabalhar com um ator adolescente interpretando um personagem cego. Além disso, como era o meu primeiro longa, serviria como um piloto para enviar aos editais de financiamento.

O filme parece dialogar bem com espectadores de qualquer lugar do mundo. O crédito desse mérito reside mais na sua estética, no tema, ou num conjunto disso tudo? a que credita esta universalidade?

Eu acho que o tema, falar do primeiro amor, da adolescência, do primeiro beijo, é o que faz com que o filme se comunique tão bem com qualquer platéia. É uma fase pela qual, independente da cultura, todos nós passamos e isso cria uma identificação imediata. Mas acho que o fato do filme ser esteticamente acessível também ajuda muito, já que coloca o espectador numa situação confortável diante de personagens que poderiam causar um certo distanciamento.

Em seus filmes, em que a homossexualidade não é salientada como uma questão política, o que elege como prioritário para contar uma história?

Eu acho que a questão política em relação a homossexualidade acontece dentro do espectador, provocada pelo filme. A minha intenção, quando coloco a homossexualidade dos personagens em segundo plano é exatamente questionar o porque a sexualidade de quem é gay é colocada em primeiro plano na sociedade. Os meus personagens estão dizendo, indiretamente, “eu sou muito mais do que só gay, sou muito mais do que minha sexualidade”. Eu parto dessa ideia para contar minhas histórias.

Dentro da cinematografia nacional contemporânea, indicaria algum “filme-irmão” a HOJE EU QUERO VOLTAR SOZINHO ? E na cinematografia internacional?

Não sei se seriam filmes irmãos, mas talvez filmes-primos: “As Melhores Coisas do Mundo”, “Os Famosos e os Duendes da Morte” e “Antes de o Mundo Acabe”. Acredito que, assim como meu filme, tratam os adolescentes de forma muito honesta e respeitando seus dilemas. Internacionalmente, eu diria “Delicada Atração (Beautiful Thing)” e “Passagem Azul (Blue Gate Crossing)”.

Já trabalha em algum novo projeto de longa-metragem?

Tenho algumas ideias, mas ainda estão bem no começo.

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