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Críticas

Depois Daquela Montanha

Um romance entre um boa premissa

Por Luiz Joaquim | 02.11.2017 (quinta-feira)

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Alternativa palatável e agradável para quem procura nas salas de cinema uma tentativa de equilíbrio entre aventura e romance entre dois adultos, o filme Depois daquela montanha (The Mountain Between Us, EUA, 2018), do diretor israelense Hany Abu-Assad (conhecido pelo preciso Paradise now) entra em cartaz hoje (2) aproveitando-se do talento de Kate Winslet e Idris Elba (Vingadores: Era de ultron).

Tendo como fonte o romance homônimo de Charles Martins, o roteiro adaptado por J. Mills Goodlow e Chris Weitz, estrutura a história dos protagonistas Alex e Ben em três blocos dramáticos que ajudam o filme a seguir fluido pelo menos até o final da segunda parte.

Se no primeiro instante somos apresentados à fotojornalista Alex, do The Guardian, e ao neurocirurgião Ben que estão presos num aeroporto, impedidos de tomar o mesmo vôo em função de uma tempestade, no segundo instante precisamos acompanhá-los na aflitiva situação de manterem-se vivos numa montanha gelada após a queda do monomotor que alugaram para chegar ao destino urgente dos dois. Ela para casar, ele para realizar uma cirurgia numa criança.

Estranhos um para o outro, e unidos pelo empertigado objetivo de chegar ao destino, este primeiro momento de Depois daquela montanha funciona muito bem no sentido de que enquanto um vai se apresentando ao outro em pleno voo improvisado pilotado pelo velho Walter (Beau Bridges) acompanhado de seu cachorro, nós também vamos tomando pé da personalidade de Alex e Ben.

Ela, bem-humorada, destemida, curiosa. Ele racional, concentrado, reservado. Neste sentido, a própria identificação profissional dos dois combina perfeitamente com o perfil dos personagens, o que de certa forma mostra-se coerente e convincente mas que, de outra forma, mostra-se também confortável para a estrutura dramática que se dá na sequência a seguir.

 

Em meio ao nada – e aí a locação e fotografia do filme ajudam a estimular na cabeça do espectador a sensação de abandono -, Alex e Ben precisam física e psicologicamente um do outro para manterem a sanidade após o acidente.

A segunda parte segue com o crescimento da intimidade forçada pela sobrevivência que cada um tem de passar para continuarem saudável, são e daí administrar a ideia de salvarem-se. A própria premissa de luta pela vida é um natural leitmotiv que deixa o público naturalmente curioso pelo porvir daquela situação. E Hany Abu-Assad conduz com cuidado esse ritmo, ainda que Winslet e Elba, num momento ou outro pareçam dar mais do que certas falas lhe oferecem, salvando uma ou outra fragilidade de situações no roteiro.

Tanto tempo juntos unidos pela necessidade mutua contra a natureza impiedosa, e enfrentando atritos naturais entre si pelo temperamento conformista dele e desbravador dela, surge uma possibilidade de romance que o filme joga para tentar resolvê-lo em sua terceira e última parte.

É nesse momento que Hany Abu-Assad parece não sustentar a mesma coerência de sutilezas ao colocar os personagens em novas situações conflitantes pautadas pelo retorno à vida real, à sociedade fútil depois deles terem passado pelo limite da morte.

O contexto nesta momento final concentra-se principalmente no conflito de Alex junto ao noivo (Dermont Mulroney, O casamento do meu melhor amigo) que é aqui apresentando de maneira rasa apenas reforçando que aquilo vivido por Alex e Ben na montanha foi algo muito maior do que qualquer romance costuma oferecer. E é, mas não tão simplesmente resolvível como Depois daquela montanha quer nos convencer.

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