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Festivais

47. Gramado (2019) – manifesto contra o Governo

Dandara de Morais leu manifesto contra portaria que suspende o edital para TVs públicas pelo FSA

Por Luiz Joaquim | 20.08.2019 (terça-feira)

– na foto acima, a atriz Dandara de Morais (e) no palco do Palácio dos Festivais, pouco antes de ler o manifesto

Lázaro Ramos – Foto: Edison Vara / Agência Pressphoto

GRAMADO (RS) – A noite de ontem (19), entre outras neste 47. Festival de Cinema de Gramado, foi marcada por alguns discursos contra a política posta em curso pelo Governo Federal que procura restringir a liberdade criativas dos profissionais da área. A fala do homenageado da noite, Lázaro Ramos (contemplado com o troféu Oscarito, pela sua carreira), já se colocou neste sentido, mas de forma menos explícita.

A fala mais aguda, e dando nome aos bois, veio da atriz pernambucana Dandara de Morais, que leu um manifesto assinado por um coletivo. A leitura aconteceu por ocasião da apresentação do curta-metragem em competição, Menino pássaro, de Diogo Leite.

Leia o manifesto na íntegra:

“Somos artistas e profissionais do audiovisual brasileiro. Nosso povo sofre com os mais perversos resultados de uma política de embranquecimento que faz sucesso até os dias atuais. É apenas fazer o teste do pescoço. Olhe para o lado, para frente, para trás: quantas pessoas negras você enxerga? Quantas delas estão ali sem ser para te servir? Quantas delas tem voz? Nosso povo está sendo exterminado sem piedade, nossa cultura e nossa existência sendo apagadas sem distinção e nossa voz, que nos custa tanto fazer ser ouvida, sendo silenciada. Censurada.

No dia 15 de Agosto de 2019 o atual presidente da República fez declarações sugerindo censura prévia à projetos audiovisuais de temáticas negra e LGBTTQ, e amanhã [hoje, 20/8/2019] será publicada uma portaria que suspende o edital para TVs públicas com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual, o que configura como racismo, lesbofobia, homofobia, transfobia do chefe de estado brasileiro.

Nós repudiamos os ataques à indústria audiovisual que além de gerar centenas de empregos diretos e indiretos, retorna R$2,60 em tributos a cada R$1 investido,  representa 1,67% do PIB, mantém viva a memória e cultura do povo brasileiro.

Em momentos como esse a reparação histórica de grupos oprimidos tão necessária e que vinha sendo conquistada aos poucos, é a primeira a ser atacada. Nós aqui presentes, e também nossas colegas Felipe Kenji, Nina Maria, Roberta Estrela D’alva,  Thaíde, Tamirys O’Hanna que passaram por aqui, juntamente com a APAN – Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro –  , estamos sempre vigilantes e atuantes contra qualquer sinal de retrocesso.

Jamais recuaremos e nem abriremos mão da nossa liberdade de expressão. Mas vale lembrar que a luta contra homofobia, transfobia, lesbofobia e antiracista é uma luta de todas e todos”.

Assinam:
Cassia Damasceno
Dandara de Morais
Danilo do Carmo
Diogo Leite
Eduarda Samara
Juh Balhego
Marco Antônio Pereira
Yasmin Thayná
* Viagem a convite do festival
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