
2ª Noturno (2026) – Programação
Festival reúne 60 filmes gratuitos no Cinema São Luiz e no Cinema da Fundação, de quinta a domingo
Por Yuri Lins | 26.08.2026 (quarta-feira)
— Com informações da assessoria do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Na imagem em destaque, o filme “Inventário de Um Feudalismo Cultural Nordestino ou Fricção histórico existencial (1978), de Jomard Muniz de Britto, realizado no ciclo super-8 e que será exibido na abertura em cópia 2K inédita.
O II Noturno – Festival Internacional de Cinema do Recife começa nesta quinta-feira (27) e segue até domingo (30), no Cinema São Luiz e no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, no Derby. São 60 filmes de graça, entre curtas e longas, distribuídos em mostras competitivas, panoramas nacional e internacional, sessões especiais, homenagens, seminários, oficinas e shows.
Criado em torno do curta-metragem, o festival passa a exibir também longas nesta edição. A grade agora divide espaço entre as quatro sessões competitivas de curtas, os panoramas de produção recente, uma seleção de clássicos brasileiros e estrangeiros e as sessões dedicadas a cineastas homenageados.
Abertura com três inéditos pernambucanos – A sessão de abertura, às 19h30 de quinta-feira, no Cinema da Fundação, é ocupada por três filmes pernambucanos que nunca foram exibidos na cidade. O primeiro é Cerimônia (2026), dirigido por Fábio Ramalho, André Antônio e Chico Lacerda, do coletivo Surto & Deslumbramento, que faz sua estreia na sessão. Na sequência vêm duas restaurações, Chá (1987), de Paulo Caldas, e Inventário de Um Feudalismo Cultural Nordestino ou Fricção histórico existencial (1978), de Jomard Muniz de Britto, realizado no ciclo super-8 e apresentado em cópia 2K inédita.
O nome do festival vem de outra obra de Jomard Muniz de Britto, Noturno em Re(cife) Maior.

The Wolf Knife (2010), um dos dois títulos do cinema independente norte-americano na mostra de clássicos
Curtas locais antes de cada longa – A produção pernambucana ganha espaço próprio na programação desta edição. Curtas realizados no Recife desde os anos 1980 serão exibidos antes das sessões de longas, formando um panorama da produção local ao longo de quatro décadas. Entram nessa seleção filmes de Fernando Spencer, Lula Lourenço, Renata Pinheiro, Camilo Cavalcante, Fellipe Fernandes, Fábio Leal, Bisoro, Henrique Arruda, Ander Beça, Rodrigo Almeida, Fernando Peres, Irma Brown, Leonardo Amaral, Pedro Maia de Brito e Ralph Antunes.
Pernambuco aparece ainda no Panorama Nacional, com Palco Cama (2025), de Jura Capela, ao lado de produções do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Minas Gerais.
Adelina Pontual e Paulo César Saraceni homenageados – A pernambucana Adelina Pontual, que atua no cinema local desde os anos 1980 como diretora, roteirista e continuísta, é uma das duas homenageadas da edição. A sessão dedicada a ela reúne quatro curtas, El Monstruo (1991), Samyradash, os artistas de rua (1993), Cachaça (1995) e O Pedido (1999).
A outra homenagem é para o carioca Paulo César Saraceni (1932-2012), que integrou o grupo fundador do Cinema Novo nos anos 1960 e aproximou o cinema brasileiro do neorrealismo italiano, partindo de dramas íntimos para tratar de questões da história do país. Serão exibidos Porto das Caixas (1962) e A Casa Assassinada (1971).

Porto das Caixas (1962), primeiro dos dois filmes da sessão-homenagem a Paulo César Saraceni
Clássicos e produção recente – Entre os longas de repertório estão A Mulher de Todos (1969), de Rogério Sganzerla, com Helena Ignez, em restauração 4K, e O Convite ao Prazer (1980), de Walter Hugo Khouri. A seleção traz ainda Mulheres Diabólicas (1995), do francês Claude Chabrol, ligado à Nouvelle Vague, e Excitação (1977), de Jean Garret, nome associado à Boca do Lixo e apelidado de o Chabrol paulista, em sessão à 0h de sábado (29). Completam o recorte Yeast (2008) e The Wolf Knife (2010), do cinema independente norte-americano.
Na produção contemporânea, o Panorama Internacional traz Mid/Evil Times (2025), de Devon Daniel Green, Tycoon (2026), de Charlotte Zhang, e Genesis (2024), de José Oliveira e Marta Ramos. O Panorama Nacional apresenta Amante Difícil (2026), de João Pedro Fato, Palco Cama (2025), de Jura Capela, A Voz da Virgem (2026), de Pedro Almeida, Tannhauser (2026), de Vinicius Romero, e Disciplina (2026), de Affonso Uchôa.
As mostras competitivas de curtas ficam divididas em quatro sessões, com filmes de gêneros e origens variados que tratam de temas como desejo, violência, assombração e performance.

Excitação (1977), de Jean Garret, ocupa a sessão de meia-noite de sábado (29), dentro da mostra de clássicos
Seminário discute imagem e arquivo – Antes da abertura, às 16h, o Cinema da Fundação recebe a primeira mesa do seminário Imaginações Noturnas, conduzida pela historiadora, curadora e crítica Lorenna Rocha sob o tema “Ruído Infinito: Programando Imagens Pretas”. O encontro parte da noção de imagens pretas para propor outras chaves de leitura histórica sobre o cinema negro. Em seguida, a sessão especial “Para ir no fundo do bagulho: o cinema com Afrânio Vital” exibe Ataulfo Alves (1973), Antônio Maria (1977), Pérola Negra (1979) e Dois Nilos (2024).
A segunda mesa do seminário, às 15h, fica a cargo do filósofo, professor e tradutor Victor Galdino, com o tema “Filmar e desfilmar raça: os destinos do arquivo”. A frente de formação do festival inclui ainda oficinas de crítica e aulas realizadas dentro da própria sala de cinema.
O Noturno é idealizado pelos curadores Felipe André Silva, Felipe Karnakis e João Rêgo, e organiza sua atuação em torno do curta-metragem, da experimentação cinematográfica e da formação de público.

Yeast (2008) completa a dupla de filmes norte-americanos exibidos entre os clássicos
Os filmes por mostra
Sessão de abertura
Cerimônia (2026), de Fábio Ramalho, André Antônio e Chico Lacerda
Chá (1987), de Paulo Caldas
Inventário de Um Feudalismo Cultural Nordestino ou Fricção histórico existencial (1978), de Jomard Muniz de Britto
Sessões-homenagem
Adelina Pontual — El Monstruo (1991), Samyradash, os artistas de rua (1993), Cachaça (1995) e O Pedido (1999)
Paulo César Saraceni — Porto das Caixas (1962) e A Casa Assassinada (1971)
Sessão especial Afrânio Vital
Ataulfo Alves (1973), Antônio Maria (1977), Pérola Negra (1979) e Dois Nilos (2024)
Clássicos
A Mulher de Todos (1969), de Rogério Sganzerla
O Convite ao Prazer (1980), de Walter Hugo Khouri
Mulheres Diabólicas (1995), de Claude Chabrol
Excitação (1977), de Jean Garret
Yeast (2008) e The Wolf Knife (2010)
Panorama Internacional
Mid/Evil Times (2025), de Devon Daniel Green
Tycoon (2026), de Charlotte Zhang
Genesis (2024), de José Oliveira e Marta Ramos
Panorama Nacional
Amante Difícil (2026), de João Pedro Fato
Palco Cama (2025), de Jura Capela
A Voz da Virgem (2026), de Pedro Almeida
Tannhauser (2026), de Vinicius Romero
Disciplina (2026), de Affonso Uchôa
Curtas – Quatro sessões competitivas e uma seleção de curtas pernambucanos exibida antes das sessões de longas, com filmes de Fernando Spencer, Lula Lourenço, Renata Pinheiro, Camilo Cavalcante, Fellipe Fernandes, Fábio Leal, Bisoro, Henrique Arruda, Ander Beça, Rodrigo Almeida, Fernando Peres, Irma Brown, Leonardo Amaral, Pedro Maia de Brito e Ralph Antunes.
Serviço
II Noturno – Festival Internacional de Cinema do Recife
De 27 a 30 de agosto
Cinema São Luiz e Cinema da Fundação Joaquim Nabuco (Derby)
Programação gratuita
www.noturnofestival.com e @noturnofestival















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