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Críticas

Shrek Terceiro

Realeza fedorenta

Por Luiz Joaquim | 15.06.2007 (sexta-feira)

Foi um caso raro de unânime simpatia à primeira vista. E aconteceu em 2001, quando o ogro Shrek apareceu nas salas de cinema. Era a primeira vez que uma animação da geração 3D atendia também aos anseios dos adultos. Ir ver um desenho nos multiplex deixava de ser um apenas programa para acompanhar o filho ou o sobrinho. Consolidado o sucesso, e com milhões de fãs, o mais fedorento dos anti-heróis entra em cartaz hoje com sua terceira empreitada: “Shrek Terceiro” (Shrek, The Third, EUA, 2007).

Ao mesmo tempo em que deu um susto nos concorrentes, a DreamWorks Animation SKG (de Spielberg, Katzenberg e Geffen) – que arrecadou 260 milhões de dólares com o primeiro filme -, criava também um novo estigma para o perfil das animações em longa-metragem e uma armadilha para si próprio. O estigma era o de que, para também fazer sucesso, os futuros desenhos dos concorrentes deveriam trazer piadas rápidas, mordaz, com a mesma perspicácia humorística que as do ogro verde.

A armadilha era que, aquilo que foi inovador em 2001, colocando um monstro e um jumento dentuço e tagarela como personagens centrais em contraponto a mocinhos e mocinhas bobões de contos de fadas, podia funcionar contra si no futuro. A fórmula ainda funcionou bem no segundo filme, em 2004, mas vale lembrar que a inserção de um gato de botas e com cara de safado ajudou bastante. O bichano, na voz original de Antônio Banderas, inclusive fez tanto sucesso que a DreamWorks hoje planeja um filme só com ele.

Vendo “Shrek Terceiro” percebe-se que a estratégia parece arrefecer, exatamente porque a função que era do Gato de Botas no filme dois aparece em fracos novos personagens satélite. São eles uma Cinderela com síndrome de doméstica, uma Branca de Neve desbocada, uma Bela Adormecida narcoléptica e uma Rapunzel careca, com tranças de aplique. Juntas, elas formam uma espécie de dondocas no high-society dos contos de fadas que rendem uma das melhores situações do filme: Um ‘chá de bebê’ com a princesa Fiona, que anuncia sua gravidez, gerando pesadelos no ogro pai.

Ele teme não a paternidade, mas a futura discriminação que prevê para seus feios e fedorentos filhotes. Mais uma vez o tema de “Shrek” o filme, é nobre, ou seja, “o importante não é o que dizem de você, mas o que você pensa a seu respeito”. O fato de existirem, no campo estético, mais ‘shreks’ que ‘príncipes’ no mundo, ajudou bastante a empatia e identificação imediata com o primeiro filme. Mas a questão é que a “moral” aqui soa como um recado já (muito bem) dado no passado, e por isso com menor impacto nas situações criadas para esse terceiro filme.

À propósito, o núcleo central em “Terceiro” nem é o ogro pai, mas o ogro rei. No reino de Tão Tão Longe, o pai da princesa Fiona, o sapo Rei Harold, está lutando, literalmente, contra a morte. Ele perde a batalha e, pela linhagem, Shrek deve assumir o trono. Depois dele está um adolescente chamado Arthur, em menção àquele da Távola Redonda, a quem o monstro verde vai resgatar para encarar a parada dura de comandar o povo de Tão Tão Longe. O papel de vilão fica com Encantado, que faz de tudo para reunir os malvados dos contos de fadas e tomar o lugar de Arthur.

Há muito pouco de novo aqui, ficando as boas risadas garantidas pelas graças já íntimas do público, como a cara safada do Gato de Botas ou o constante terror do Homem Biscoito (aqui com mais espaço). Uma situação esperada era ver o desempenho de Mauro Ramos, ator e dublador, que assume a voz do monstro uma vez que Bussunda (a primeira e segunda voz de Shrek) faleceu em junho do ano passado.

Ramos, dono da voz do javali Pumba em “O Rei Leão”, foi a primeira opção em 2001 para ‘fazer’ Shrek. Ramos Chegou a realizar toda a dublagem no primeiro filme, até que a distribuidora resolver convidar o astro do Casseta para agregar valor midiatico à obra. Agora chegou a hora de Ramos, e seu desempenho é irretocável.

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