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Críticas

As Virgens Suicidas

Sofia Coppola tem algo a dizer

Por Luiz Joaquim | 20.02.2018 (terça-feira)

–publicado priginalmente em maio de 2000 no site Tô na Boa

Há exatos dez anos, Sofia Copolla estreava atuando como atriz num filme comandado pelo próprio pai. Era O Poderoso Chefão 3. Ela tinha apenas 18 anos e estava substituindo, às pressas, Winona Ryder, que havia sido escalada inicialmente para o papel da filha de Michael Corleone. Resultado: Sofia sofreu um dos mais violentos ataques que a crítica especializada já dirigira a uma atriz estreante. Hoje, como diretora de As virgens suicidas (estreando no Cinema da Fundação no final de janeiro), Sofia reaparece amadurecida, relembrando a história verídica de cinco irmãs que se matam numa cidade americana nos anos 1970.

Depois de ser tomada pelo encantamento provocado pela escrita de Jeffrey Eugenides (autor do livro cujo filme é baseado), Sofia partiu para a realização do projeto que retrata a família como instituição repressora. No filme, Kathleen Turner e James Woods formam um casal padrão do american way of life: puritano, pudico e repressor quanto ao despertar da sexualidade de suas cinco lindas e loiras filhinhas. Eles são religiosos e impõem duros limites às filhas, de tão cegos que são para o que se passa nas cabeças das adolescentes.

O resultado é que, uma a uma, começam a cometer suicídio. O motivo: nenhum especifico. E é aí que Sofia ganha pontos em sua mais nova obra. Ela oferece margens para a especulação do espectador, que não vai deixar de levar em consideração o ambiente falso-idílico em que as meninas viviam. Um ambiente de casas bem construídas e jardins arborizados, onde tudo é, aparentemente, pacífico.

Toda a perspectiva é passada pelos olhos de um dos inúmeros rapazes que cortejavam as meninas. Esse rapaz é Eugenides, e o filme deixa bem claro o efeito que a tragédia provocou neste rapaz, há duas décadas.

As virgens suicidas aborda um tema já paquerado pelo cinema (inclusive o nacional). Trata-se do que é convencionalmente chamado de ‘antipsiquiatria’, ou seja, a relação íntima da doença mental com a desordem da sociedade moderna. A ideia sugere que o esquizofrênico é um produto da família, mas também de uma sociedade em decadência.

A versão nacional para isso – Bicho de Sete Cabeças, de Laís Bodanzky – entrou em cartaz o Rio e São Paulo depois de ter amealhado boa parte dos prêmios no último festival de cinema de Brasília. Agora é torcer para que ele chegue por essas bandas de cá.

 

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