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Festivais

59ª Brasília (2026) – Delegado

Grande dinamite audiovisual pernambucana explodiu na noite de ontem (12) sobre o Festival de Brasília.

Por Luiz Joaquim | 13.09.2026 (domingo)

– em foto de Luana Passos Ramos, Leonardo Lacca e equipe apresentam Delegado no palco do Cine Brasília

BRASILIA (DF) – Grande dinamite audiovisual pernambucana explodiu na noite de ontem (12) sobre a 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Não estamos falando de um longa ou curta-metragem, mas sim da série Delegado, produção da Trincheira Filmes irmanada com a CinemaScopio sob direção dupla de Leonardo Lacca e Marcelo Lordello. A sessão apresentou os três primeiros episódios de um total de sete.

E o melhor, daqui a pouco, ali no 30 de outubro, o a série ganha seu espaço na tela do Canal Brasil, com um episódio por semana, e, no 31 de outubro, entra no cardápio de ofertas por streaming da GloboPlay.

Após a sessão de luxo na beleza de auditório que é o Cine Brasília, com a habitual projeção de excelência coordenada pelo técnico Alexandre Barros, os comentários no hall fora da sala passeavam por expressões como: “Poxa, o festival já começa com essa pancada. Agora os próximos filmes terão de se esforçar pra dizer a que vieram”. E: “É incrível como não há um só momento de qualquer tipo de fragilidade em todo os atores envolvidos”.

De fato, Delegado, como disse a produtora Emilie Lesclaux e Leonardo Lacca na apresentação da sessão, nasceu sem distinção (ou quase sem, diríamos) entre uma proposta estética de tela grande para uma de tela de tevê. E isso está também na competência dramatúrgica – mérito do conjunto do elenco, com atores/atrizes mediados pela direção Lacca/Lordello, mas também, entendemos, como fruto do ofício de Lacca na função de preparador de elenco. O profissional pernambucano vai, cada vez mais, fincando seu nome como um dos mais expressivos e de referência no Brasil neste campo.

Johnny Massaro e Alice Carvalho brilham em “Delegado”

“O Brasil inteiro vai ‘adotar’ essa série”, escutamos ontem, pós-sessão, de uma fonte que é autoridade absoluta quando o assunto é teve paga. Talvez seja cedo para a afirmação, mas não é cedo para dizermos que o público recifense, este sim, ao conhecer a beleza de série que vem por aí, ao se perceberem tão bem representados na tela – com suas alegrias, sua mazelas, seus medos e o recifense modo de lidar com eles –, aí é certo, Delegado pode virar um caso a ser estudado de sucesso.

TRAMA – A sinopse conta que Felipe (Johnny Massaro, sempre intenso na medida precisa) é um jovem de classe média que está assumindo o seu posto numa delegacia do Recife. Chega com o frescor de ideais de quem acaba de sair da academia de polícia, da formação de delegados, e se depara com as contradições da instituição.

Massaro como Felipe. Contenção e explosão em medidas precisas

Conhece sua equipe, trabalhando impregnados pelo modus operandi do antigo delegado e do habitual sistema policial de intimidação violenta, o que coloca à prova os idealismos de Felipe, ao mesmo tempo em que ele precisa desbaratar a ascensão de um novo líder do tráfico na Zona Oeste do Recife.

Mas não é só uma trama bem engendrada, com diálogos verossímeis e convincentes, que fazem de Delegado uma delícia de série. É também uma coleção de absurdos reconhecíveis do mundo real em que vivemos mas que, no final das contas, só ganha a dimensão do bizarro quando colocados sob o plano da dramaturgia audiovisual.

Vai desde o vendedor de coxinha que entra no gabinete do delegado durante um interrogatório até a empresária do bairro (Hérmila Guedes, ótima) que anualmente banca a confraternização dos agentes daquela delegacia e exige do delegado providencias para a segurança da região conforme lhe convém.

Há ainda, a competência de Lacca/Lordello, ladeados por uma equipe técnica e criativa de excelência – fotografia de Luciana Baseggio; direção de arte de Juliano Dornelles e Dayse Barreto; figurino de Ana Cecília Drumond; som de Moabe Filho e Lucas Caminha; produção executiva de Marian Jacob e finalização de Pablo Nóbrega  – em compor planos de uma força visual inesquecível para a identidade do Recife.

Massaro, Georgette Fadel e Igor de Araújo em cena de “Delegado”

O prólogo do episódio #1, por exemplo, quando somos apresentados a lendária história do delegado Binho Doidão, é uma pequena obra-prima de composição cinematográfica, sim. Por uma combinação de enquadramento, diálogos, ritmo, violência e silêncios absolutamente hipnotizantes.

E, para encerrar, voltamos ao elenco mais uma vez. É não só atraente conhecer novos personagens tão familiares pela forma que Lacca, Lordello e Tião (co-criador da série) estabelecem aqui, mas também reconhece-los próximos de nós.

E esse reconhecimento, claro, passa pela competência performática de um elenco de talentos: além de Massaro e Hermila, Alice Carvalho, Virgínia Cavendish, Igor de Araújo, Narcival Rubens, Georgette Fadel, Nataly Rocha, Nínive Caldas e Tânia Maria.

Rubens Santos

Concluímos com um parágrafo, ou dois, para a presença de Rubens Santos em Delegado. Rubens tem seu rosto já popularizado nas produções de Kleber Mendonça Filho, muito lembrado como o motorista invisível de Retratos fantasmas (2023). Com seus habituais pouco tempo de tela, Rubens sempre dava de forma muito marcante o seu recado.

Em Delegados, vivendo um dos agentes de Felipe, o ator finalmente ganha mais espaço e tem a chance de nos presentear com um talento que, cada vez mais, parece nato. Rubens interpreta Marmota (o nome é Francisco, mas ele gosta mesmo é de ser chamado de Marmota), e seu gigantimos só cresce dentro de uma naturalidade impressionante em cena. Seu trabalho traduz bem a palavra ‘sedução’ e ‘envolvimento’. Premissa própria do ofício que só grandes atores possuem. Que venham um longa-metragem protagonizado por Rubens Santos.

 

Confira a apresentação completa da equipe de Delegado no Festival de Brasília.

*Viagem a convite do Festival

 

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