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Festivais

Festival de Roterdã (2020) – apresentação

Marcelo Ikeda começa cobertura exclusiva do festival holandês, com olhar especial na seleção brasileira

Por Marcelo Ikeda | 22.01.2020 (quarta-feira)

Acima, Eduardo Morotó em foto de Juarez Ventura em 2017 durante filmagens no Recife de A morte habite à noite.

Durante 12 dias – de hoje (22) a 2 de fevereiro – acontece a nova edição do Festival Internacional de Cinema de Rotterdam (IFFR 2020). Um dos mais importantes festivais de cinema europeus, o tradicional festival realizado no interior da Holanda sempre costuma inserir filmes brasileiros da nova geração de realizadores em sua grade de programação. O IFFR é conhecido por apostar em novos rumos da linguagem cinematográfica contemporânea, e também em obras de jovens talentos, em seus primeiros e segundos longas-metragens.

Entre os dez filmes selecionados para a seção principal do festival, a “Tiger Competition 2020”, está Desterro, primeiro longa de ficção da cineasta Maria Clara Escobar, diretora do contundente documentário Os dias com ele (2013). No filme, uma coprodução entre Brasil, Portugal e Argentina, uma jovem mãe abandona um relacionamento abusivo e desaparece.

Na mostra “Bright future”, mas fora de competição, teremos a estreia mundial de A morte habita à noite, primeiro longa-metragem do pernambucano Eduardo Morotó. (Clique aqui e leia sobre os bastidores das gravações do filme no Recife).

No programa principal da Mostra “Bright Future” também serão exibidos outros filmes brasileiros já premiados em outros festivais internacionais de prestígio, como Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles (premiado em Cannes), e A febre, de Maya Da-Rin (premiado em Locarno).

O pernambucano Eduardo Serrano, que montou filmes como Bacurau e Boi neon, dará uma masterclass sobre o seu processo criativo, passando em revista sua trajetória profissional.

Outro destaque do festival é um programa especial dedicado aos curtas-metragens do cearense Leonardo Mouramateus, composto de duas sessões. A primeira exibe os curtas O completo estranho, A festa e os cães e Charizard, enquanto na segunda serão vistos Vando vulgo vedita, História de uma pena e Mauro em Caiena. Além das duas sessões especiais, Leonardo apresenta um curta-metragem inédito na competição de curtas-metragens, A chuva acalanta a dor.

Além do curta de Mouramateus, também teremos na competição de curtas-metragens a presença da artista e cineasta Ana Vaz, com o curta Apiyemiyekî?, a partir do arquivo de desenhos de Egydio Schwade sobre os índios Waimiri-Atroari, na região do Amazonas.

Outros curtas-metragens participam do Festival de Rotterdam. Laís Santos Araújo participa com o curta Como ficamos na mesma altura na mostra “Voices”. Laís inscreveu um projeto de longa-metragem para o fundo Hubert Balls, gerenciado por Rotterdam, e acabou recebendo o convite para exibir seu curta, sem que o tivesse inscrito oficialmente no festival, mas apenas o enviado como parte do portfólio do projeto de longa-metragem. Acabou surpreendida com a seleção do curta – um importante reconhecimento do amadurecimento da atual cena do audiovisual alagoano.

Na mesma sessão “Holding Ground”, voltada para obras sobre personagens que encontram um escape para resistirem às ideologias opressoras dominantes, será exibido Inabitáveis, de Anderson Bardot, explorando uma relação homoafetiva entre dois homens negros, a partir de uma companhia de dança. Assim como Laís vem de um estado com ainda pouca tradição no cinema brasileiro, Bardot realizou seu filme no Espírito Santo – mais um elemento que confirma a tendência de descentralização da produção cinematográfica brasileira, com talentos emergindo nos mais diversos recantos do país.

Na sessão “Bright Future Short”, com curtas-metragens desenvolvidos por artistas que tendem ao experimental, teremos Swinguerra, novo trabalho (já exibido no Brasil) da dupla de pernambucanos Bárbara Wagner e Benjamin de Burca, que realizaram curtas como Estás vendo coisas (2016) e Terremoto santo (2017).

Em outras seções paralelas de Rotterdam, serão exibidos os seguintes filmes brasileiros.

Na seção “Perspectives – the tyger burns” (o tigre queima), voltada a cineastas veteranos que mantém acesa a chama da investigação da linguagem cinematográfica mesmo cinquenta anos após sua estreia no cinema, teremos a estreia mundial dos novos filmes de dois cineastas brasileiros. O primeiro é Ruy Guerra, com Em pedaços, que o próprio festival descreve como uma grande surpresa, literalmente como “um noir kafkiano alucinatório, em ultra-estilizado preto-e-branco sobre um homem e suas duas amantes – no mesmo apartamento e ainda assim a oceanos de distância.”

E o segundo é Ivan Cardoso, com o curta O colírio de Corman, em tributo a Roger Corman, lendário produtor e realizador de filmes B a partir dos anos 1950.

Realizado no Reino Unido por dois diretores brasileiros (Lucia Nagib e Samuiel Paiva), Passagens é um documentário sobre a relação entre o cinema e outras artes (música, teatro, literatura, artes visuais) no cinema brasileiro da retomada, por meio da análise de filmes de diretores pernambucanos e paulistas. O filme será exibido na mostra “Regained” – dedicada a filmes que refletem sobre o processo de memória cinematográfica (filmes restaurados, filmes sobre o cinema ou sobre cineastas).

Na mostra “Perspectives – Wait and See”, teremos Água e sal, de Luísa Mello, já exibido no Brasil no Curta Cinema 2019.

Na seção “Voices – Big Screen Competition”, entre os nove filmes selecionados, que concorrem a um prêmio do público, está Um animal amarelo, de Felipe Bragança, diretor de filmes como Não devore meu coração (2017) e A alegria (2010). No filme, o protagonista brasileiro viaja para Moçambique e Portugal numa odisseia em busca de suas origens, questionando suas raízes e heranças étnicas e coloniais.

Na mostra “Voices”, uma sessão apresenta curtas com uma reflexão sobre lugares confinados. Um deles é Vitória, de Ricardo Alves Jr., presente em Rotterdam com seu primeiro longa-metragem Elon não acredita na morte (2017). O curta examina as condições opressoras de trabalho e o machismo vigente numa fábrica têxtil no interior de Minas Gerais.

Esses são apenas os curtas e longas brasileiros exibidos no evento. Isso sem contar os inúmeros filmes de diversos países do mundo distribuídos pela extensa programação do festival. A cobertura desse evento, com a repercussão dos filmes brasileiros e a análise de alguns dos filmes internacionais será vista nos próximos dias no site CinemaEscrito.com. Acompanhe.

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